Pela primeira vez, Anatel considera dividir faixa de 6 GHz para wi-fi e redes móveis

Baigorri, que já tinha dado o assunto como encerrado, admitiu que poderá destinar parte do espectro para redes móveis “se assim o mundo decidir”

A alocação da faixa de 6 GHz, um recurso crucial para as comunicações sem fio, será o ponto central de discussão na próxima Conferência Mundial de Radiocomunicação 2023 (WRC, na sigla em inglês), que terá início em 20 de novembro em Dubai.

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, em audiência pública na Câmara dos Deputados, mencionou que o Brasil aguardará a decisão da WRC antes de reavaliar ou manter sua destinação atual para o wi-fi não licenciado. Baigorri enfatizou que o que importa é o padrão internacional que será adotado, não a preferência por uma tecnologia específica.

Ele também reiterou que o contexto está mudando e que, se a decisão global for de que a faixa de 6 GHz será destinada à telefonia móvel, a Anatel seguirá os procedimentos previstos na Lei Geral de Telecomunicações para uma possível revisão.

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Em 2020, a Agência decidiu alocar a totalidade dos 1200 MHz da faixa de 6 GHz para o uso não licenciado e Baigorri já rejeitou publicamente qualquer discussão como a do presente momento, dando o assunto como encerrado. “O wi-fi é considerado hoje uma das formas mais democráticas de acesso à internet”, frisou. A decisão final terá implicações significativas na conectividade e no acesso à rede.

Enquanto os Estados Unidos autorizaram o uso da faixa para dispositivos de baixa potência, reconhecendo sua importância para operações de wi-fi e wi-fi 6E, a europa pleiteia uma divisão equitativa da faixa, alocando metade para a internet sem fio e a outra metade para serviços móveis. Confira neste infográfico como outros países do mundo utilizam essa frequência.