Oi informa risco à continuidade das operações a partir de agosto
Risco de colapso dos serviços públicos prestados pela operadora é iminente, uma vez que dinheiro que garantia a continuidade de comunicações críticas, “sumiu”. Justiça prevê medidas urgentes.
A Oi informou nesta quarta-feira (9), em fato relevante ao mercado, que sua operação poderá se tornar insustentável a partir de 1º de agosto de 2026, diante do agravamento da situação de insolvência e da rápida deterioração de seu caixa.
O gestor judicial, Bruno Rezende, informou à Justiça que a disponibilidade de caixa prevista para o fim de julho caiu de R$ 88,1 milhões para R$ 19,6 milhões, valor considerado insuficiente para manter a continuidade operacional.
A manifestação foi protocolada pelo gestor judicial nos autos dos agravos de instrumento que discutem a decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro que, em novembro de 2025, convolou a recuperação judicial da companhia em falência com continuidade provisória das atividades.
O julgamento dos recursos, apresentados por Itaú Unibanco e Bradesco, foi suspenso em 30 de junho após pedido de vista do desembargador Augusto Alves Moreira Júnior.
Reconstituição: Oi: da privatização ao colapso de uma crise sistêmica nas telecomunicações
O cenário já havia sido antecipado em manifestações recentes apresentadas no processo de falência. Em relatório protocolado pela administradora judicial Preserva Ação, obtido por veículos especializados, a redução do caixa foi atribuída principalmente ao atraso na conclusão da venda da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Serviços Telefônicos para a Método e ao fracasso do leilão da Oi Soluções, que terminou sem interessados.
De acordo com a administradora judicial, a entrada dos recursos provenientes dessas operações era considerada essencial para preservar a liquidez da companhia. Sem eles, a empresa corre o risco de não conseguir honrar compromissos básicos de funcionamento, incluindo pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e empregados.
Ameaça aos serviços essenciais
O relatório também alerta para possíveis impactos sobre serviços considerados essenciais. A Oi ainda mantém contratos de telecomunicações e infraestrutura utilizados por órgãos públicos, incluindo soluções corporativas para administrações públicas e redes que suportam comunicações críticas.
Caso o caixa se esgote, a administradora judicial avalia que poderá haver comprometimento da prestação desses serviços caso medidas emergenciais não sejam adotadas.
Ocorre que o dinheiro dado como garantia para continuidade dos serviços, foi liberado pela justiça para pagamento dos trabalhadores, o que nunca ocorreu. O dinheiro foi dado como “desaparecido”, segundo Carlos Baigorri, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A gravidade da situação também motivou manifestações de entidades sindicais. Federações e sindicatos que representam trabalhadores da Oi e da Serede encaminharam uma carta ao governo federal alertando para o risco de paralisação das atividades, demissões e descontinuidade de serviços públicos prestados pela companhia. As entidades pedem uma atuação coordenada do governo, da Anatel e do Poder Judiciário para evitar um colapso operacional.
Apesar dos alertas, a Oi não anunciou o encerramento definitivo de suas atividades. O fato relevante divulgado ao mercado informa que a continuidade operacional depende dos desdobramentos judiciais e das medidas em discussão no processo de falência. A empresa disponibilizou aos acionistas e credores as petições apresentadas pelo gestor judicial, que detalham a evolução da crise financeira.
A deterioração do caixa ocorre em um momento decisivo do processo judicial. Além da conclusão da venda da UPI Serviços Telefônicos, a companhia depende de novas fontes de liquidez para manter as operações enquanto aguarda o desfecho dos recursos que discutem a continuidade da falência com preservação temporária das atividades.