Lula faz alerta sobre desigualdades digitais no encontro do G7

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante a reunião do G7 na França, a construção de uma governança internacional para a inteligência artificial e alertou para o risco de ampliação das desigualdades globais associadas ao avanço das tecnologias digitais.

Em sua fala, Lula destacou que a IA pode trazer ganhos relevantes para áreas como indústria, saúde, energia e serviços públicos, mas também representa desafios significativos caso não haja coordenação entre países e regras claras de funcionamento.

“Enquanto empresas de tecnologia possuem valor equivalente ao de grandes economias nacionais, 2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem desconectadas da internet”, argumentou. 

Para ele, esse cenário reforça a necessidade de uma governança multilateral para a inteligência artificial, com papel de coordenação das Nações Unidas e de fóruns internacionais.

Lula também relacionou o debate sobre tecnologia à discussão sobre soberania digital, ao defender que países precisam ter condições de definir suas próprias trajetórias de desenvolvimento tecnológico, uma vez que muitas economias em desenvolvimento ainda ocupam posições secundárias na cadeia digital global, atuando sobretudo como fornecedoras de dados ou consumidoras de serviços tecnológicos.

Outro ponto ao qual o presidente já vem investindo em discursos mundo afora, é o da defesa do multilateralismo

O líder brasileiro frisou que decisões estruturais sobre tecnologia não devem ficar restritas a poucos países ou atores privados e abordou ainda a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção no ambiente digital, especialmente no que diz respeito a crianças e adolescentes e à circulação de conteúdos nocivos nas plataformas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também defendeu maior alinhamento entre padrões de segurança e marcos regulatórios no desenvolvimento da inteligência artificial e “intercedeu” por um aprofundamento da cooperação entre Estados Unidos e União Europeia no desenvolvimento da tecnologia.

Ela afirmou que é de interesse mútuo que cidadãos e empresas tenham acesso seguro aos modelos mais avançados de IA e destacou o papel da UE como mercado relevante para a adoção de aplicações industriais da tecnologia. Recentemente o Brasil e a União Europeia firmaram um acordo de reconhecimento mútuo em dados e conectividade.

Tensão com do EUA com o Pix

No campo econômico, Lula também reforçou a defesa do Pix como infraestrutura pública digital e referência de inclusão financeira. 

O sistema entrou no centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos após ser citado em investigação aberta pelo governo Trump no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. O Pentágono alega que o modelo brasileiro poderia favorecer um serviço estatal em detrimento de empresas privadas de pagamentos eletrônicos como Visa e Mastercard.

O governo brasileiro rejeita as críticas e sustenta que o debate se insere em uma disputa mais ampla sobre soberania digital e autonomia dos países na definição de suas próprias infraestruturas tecnológicas.