O investimento bilionário priorizará telecomunicações e tecnologias nacionais com recursos do BNDES e do Fust.
O programa “Nova Indústria Brasil”, lançado nesta segunda-feira, 22, pretende impulsionar a digitalização da indústria nacional e o desenvolvimento sustentável até 2033. A iniciativa contempla diversas estratégias para fortalecer setores-chave da economia, como agroindústria, infraestrutura urbana (telecomunicações), tecnologia da informação, saúde, bioeconomia e defesa.
Com um aporte de R$ 300 bilhões até 2026 (R$ 21 bilhões não reembolsáveis), provenientes de financiamentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), o programa busca alavancar a inovação e a digitalização por meio de seis missões específicas.
Algumas delas incluem:
- Digitalizar 90% das indústrias brasileiras;
- Triplicar participação da produção nacional no segmento de novas tecnologias;
- Priorizar a tecnologia nacional com autonomia de 50% da produção de tecnologias críticas para a defesa.
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Também serão utilizados R$ 4 bilhões do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) com taxa referencial (juros reduzidos) para expansão da banda larga e conectividade, dentro do eixo Indústria Mais Produtiva, que ao total requererá R$ 182 bilhões.
No eixo Indústria Mais Inovadora e Digital, serão investidos R$ 66 bilhões, voltados para a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), entre outras medidas.
A criação da Estratégia Nacional de Datacenters e Serviços de Computação em Nuvem também se destaca, visando atrair investimentos e promover a infraestrutura necessária para o processamento e difusão de dados no país.
Telecomunicações em destaque
Na nova política industrial o setor de telecomunicações ganha certa prioridade. O governo regulamentará o Decreto nº 10.480, de setembro de 2020, o que prevê a colaboração entre as redes de telecom e a implementação conjunta de infraestrutura em projetos de interesse público, como rodovias, ferrovias, sistemas de transporte público e linhas de transmissão de energia.
A retomada dos concursos para as agências reguladoras como a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), é outra medida que visa garantir a qualidade e eficiência dos serviços prestados à população.
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Cidades inteligentes
No quesito mobilidade urbana, o programa propõe soluções que incluem o desenvolvimento de sistemas inteligentes para deslocamento de pessoas e cargas, aviação do futuro, economia circular para resíduos urbanos e industriais, e soluções sustentáveis para saneamento e moradia popular.
Além disso, a política visa fortalecer a presença das empresas brasileiras nas cadeias produtivas de energias renováveis, como solar fotovoltaica, termossolar e eólica, incentivando o desenvolvimento tecnológico nesses segmentos.