São Paulo, Brasil.- O governo brasileiro tem anunciado investimentos significativos em inteligência artificial (IA), no entanto, essa estratégia ocorre em um cenário de competição desfavorável, considerando que países como Estados Unidos e China já possuem incentivos privados com valores astronômicos já há anos antes das iniciativas brasileiras, observou Roberta Grünthal, superintendente executiva de TI do BB Seguros, nesta quarta-feira, 9, durante a Futurecom 2024.
A superintendente ressaltou que em um contexto geopolítico, a corrida tecnológica pela IA não é apenas uma questão de inovação, mas também de segurança nacional. “Quando falamos de IA, estamos discutindo a capacidade de um país em se proteger contra riscos de guerras e invasões”, explica. Ela aponta, portanto, que a evolução nessa tecnologia gera um interesse genuíno nos líderes de governo.
A relevância da IA se torna ainda mais evidente em contextos como o da China, onde a tecnologia tem sido utilizada para melhorar a eficiência em áreas críticas, como a saúde. Com a possibilidade de realizar atendimentos médicos a distância em apenas um minuto, a IA pode ampliar significativamente o acesso a cuidados médicos em regiões com escassez de profissionais. “Se conseguirmos disponibilizar essa tecnologia, podemos transformar o atendimento médico em áreas carentes”, afirma Roberta.
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Alexandre Del Rey, da I2AI (Associação Internacional de IA), ressalta que as questões geopolíticas têm um impacto direto no cotidiano, e a IA será crucial para o desenvolvimento tecnológico das empresas, a geração de empregos e a formação de talentos. Ele destacou o apoio dos EUA às gigantes tecnológicas para entrar e dominar mercados pelo mundo e também do governo chinês que define as políticas, mas que conta com investimentos privados robustos.
Para Del Rey, o Brasil idealiza um “mundo perfeito” em IA, mas falta pragmatismo nas abordagens. “O plano Brasileiro de IA (PBIA) tem investimento, tem metas, mas carece de uma visão de longo prazo”. O pesquisador diz que para que o país efetivamente participe da corrida global, é preciso focar em IA quântica, IA causal e neuro simbólica, áreas que ainda não estão maduras”, destaca Del Rey.
Ele conclui que, como sociedade, é essencial aproveitar as associações e movimentos existentes neste campo para melhorar a articulação entre o setor público e privado e reter talentos, escolhendo caminhos promissores para o futuro.
“Como essa tecnologia pode gerar resultados práticos na ponta, é o grande enigma. E falta de clareza nisso, gera uma procrastinação no desenvolvimento soberano da IA, o que prejudica transversalmente o país”, alerta.