Empresas se preocupam com cibersegurança mas não conseguem mensurar ataques

Estudo do IDC mostra que empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para implementações tecnológicas

Pesquisa do IDC em parceria com a ABES, baseada em questionário feito a 100 executivos, revelou que, embora os ataques cibernéticos sejam crescentes, surpreendentemente, 12% das empresas brasileiras não conseguem quantificar se houve um aumento ou não em sua exposição a esses ataques. Essa incerteza é uma questão crítica, já que o cenário de ameaças continua a evoluir.

“É um tanto preocupante que algumas organizações estejam lutando para avaliar a ameaça real dos ataques cibernéticos”, diz Fábio Martinelli, analista sênior de empresas e análises de dados do IDC. “O crescimento constante desses ataques destaca a necessidade urgente de uma abordagem mais robusta à segurança cibernética.”

Apesar das preocupações, a pesquisa também destacou o progresso significativo na implementação de soluções de segurança. A maioria das empresas priorizou a proteção do núcleo de suas operações, com 66% focados na segurança de rede e 63% na segurança dos dados. No entanto, a falta de medição eficaz desses ataques ressalta a importância de uma avaliação mais profunda da postura de segurança de cada empresa.

Inteligência artificial, uma desconhecida

A pesquisa também revelou insights sobre a adoção e implementação da inteligência artificial (IA) nas empresas. Embora quase 60% das organizações ainda não estejam utilizando a IA, há sinais de um aumento no interesse por essa tecnologia.

“A inteligência artificial tem o potencial de transformar radicalmente a forma como as empresas operam”, comenta o especialista. “À medida que as empresas começam a explorar suas aplicações, é provável que testemunhemos uma mudança significativa na adoção nos próximos meses.”

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As razões para a não adoção da IA variam, desde a falta de conhecimento até preocupações com custos e falta de mão de obra qualificada. No entanto, a pesquisa sugere que as empresas estão se tornando mais conscientes das vantagens estratégicas que a IA pode oferecer, como a automação de tarefas repetitivas, análise de dados e previsão de demanda futura.

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Empresas ainda têm cautela no uso de IA. Imagem: print do estudo

Desafios e oportunidades na jornada tecnológica

A jornada em direção à transformação digital encontra obstáculos distintos. Limitações de recursos de TI e restrições orçamentárias são os principais fatores limitantes. O equilíbrio entre prioridades comerciais e de TI é um desafio, muitas vezes agravado pelas limitações financeiras. Contudo, 86% das organizações brasileiras relataram monitorar ou tratar a conformidade dos dados.

A governança de dados ainda está em estágio inicial para a maioria das organizações, com apenas 34% possuindo políticas formais. Melhorar essa área é vital para permitir a adoção de novas tecnologias e modernização eficaz. O engajamento com os dados existentes e a otimização das operações atuais são passos cruciais antes de iniciativas de modernização mais amplas.

Tendências futuras

“O equilíbrio entre a segurança cibernética e a inovação tecnológica é fundamental para o sucesso das empresas modernas”, afirma Martinelli. “As organizações que se destacarem nesses aspectos estarão bem posicionadas para enfrentar os desafios e abraçar as oportunidades do futuro.”

As motivações para a adoção de soluções de dados e análise são diversas, incluindo otimização de processos (73%) e melhoria da experiência do cliente (53%). A implementação de IA abrange desde a automação de tarefas repetitivas até a previsão de demanda futura, demonstrando sua transformação nas operações.