Desligamento do 2G e 3G no Brasil gera preocupações à Abranet

Associação alerta para impactos severos na economia e na conectividade em áreas remotas. Operadoras têm metas diferentes e graduais para desligamento. A Anatel recolherá contribuições até 2 de dezembro

A Associação Brasileira de Internet (Abranet) recomendou cautela à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ao acelerar o desligamento dos sinais 2G e 3G no Brasil. Em sua contribuição à tomada de subsídios da reguladora para promover a transição tecnológica para os padrões 4G e 5G, a Abranet argumenta que a descontinuidade desses sinais terá impactos severos na economia nacional e na conectividade da população, especialmente em áreas rurais e remotas.

Embora 99,98% do país seja coberto pela rede 4G, segundo dados da Teleco, a Abranet alega que muitas áreas do Brasil ainda não possuem cobertura de redes móveis fora das sedes dos municípios e grandes centros urbanos, e a descontinuidade prejudicaria essas populações.

“Usuários de regiões remotas têm utilizado antenas externas e reforçadores de sinal internos. Atualmente, estima-se que 2 milhões de usuários dependam destes equipamentos para sua conectividade”, justifica a associação em sua contribuição.

No entendimento da Anatel, a evolução tecnológica é constante e impulsiona o progresso em todas as áreas da sociedade. No contexto dos sistemas de Serviço Móvel Pessoal (SMP), a transição das tecnologias 2G e 3G para padrões mais avançados (4G e 5G), é necessária para atender às demandas de novas aplicações e modelos de negócios, o que promove a transformação digital do país e beneficia diretamente consumidores, setores econômicos e a indústria.

Ainda segundo dados da Teleco, o número de linhas 2G e 3G ativas caiu de 200 milhões no seu auge, para menos de 20 milhões hoje em dia, enquanto o 4G predomina com 200 milhões de linhas. O 5G, por sua vez, tem crescido desde seu lançamento, atingindo 10 milhões de usuários, com consideráveis investimentos do Governo Federal para ampliação dessas tecnologias.

A tomada de subsídios, que recebe contribuições até 2 de dezembro, atende também a um pleito da Conexis Brasil Digital, que representa as principais operadoras e para as quais essa transição implica em economia de custos relacionados à manutenção de antenas, consumo de energia e outras operações ligadas a essas tecnologias.

Para cada operadora há uma meta diferente para o desligamento das redes obsoletas. No caso da Claro, em processo gradual, isso pode ser feito até 2026.

Implicações às “maquininhas” de cartão

Além das preocupações com a conectividade, a Abranet destaca os impactos negativos que o desligamento dos padrões 2G e 3G poderia ter nos meios de pagamento, afetando varejistas e consumidores, o comércio e a economia. A Abranet argumenta que as transações de pagamento pelas “maquininhas” de cartão dependem da conexão 2G/3G e que muitas ainda são incompatíveis com as redes atuais. A Anatel, por outro lado, diz que aplicações que exigem taxas de transmissão mais baixas, como as conexões diretas de máquinas, podem ser atendidas pelas novas tecnologias.

A Abranet também propõe medidas adicionais, como investimentos na infraestrutura 4G/5G, campanhas de conscientização, subsídios para dispositivos móveis, planos de serviço acessíveis, compartilhamento de infraestrutura e parcerias com provedores de conteúdo e desenvolvedores de aplicativos.