Como Silvio Santos influenciou (e perdeu a mão) da TV aberta

Dono do canal SBT faleceu no sábado, 17, aos 93 anos. Animador de sua própria rede de televisão por 50 anos, ajudou a moldar o formato da TV aberta no Brasil.

Tido como o maior comunicador do Brasil, Silvio Santos faleceu do vírus H1N1, na madrugada do sábado, 17, aos 93 anos, deixando um legado para a radiodifusão do país. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e o Ministério das Comunicações publicaram notas de pesar, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou três dias de luto.

Silvio Santos esteve literalmente à frente de seu negócio por 50 anos. Dono do SBT, apresentou diversos programas dominicais lembrados até hoje, e se tornou uma personalidade conhecida por todos os brasileiros.

Sua programação popular ajudou a moldar a TV aberta no país e fez concorrência direta à hegemonia da Globo, mas deixou de acompanhar as inovações.

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Segundo pesquisas do Kantar Ibope, há 20 anos, Globo, SBT, Record, Band e RedeTV! detinham 90% do consumo da tv aberta. Até 2001 o canal detinha três vezes mais audiência do que nos últimos anos. Na época, tinha uma média de 24 televisores sintonizados para cada 100, sendo hoje, apenas 8 para cada 100.

Apesar de ter investido numa nova direção, a programação engessou em conteúdos pouco atrativos, que não são capazes de enfrentar as concorrentes e menos ainda o mundo do streaming. Nesse quesito, a emissora só chegou a lançar sua plataforma em 2021.

Portais especializados em TV, divulgam que a emissora não sobreviverá sem Silvio Santos, que já havia passado o bastão para as filhas em 2020, quando se afastou em ocasião da pandemia.

A influência de Silvio Santos

Silvio Santos deteve a receita do entretenimento para o povo. Com muitos programas de auditório que iam de testes de DNA e programas de calouros até os jogos da plateia com o apresentador que lhe jogava aviõezinhos de dinheiro; formou a cara da televisão dos anos 80 e 90 e inspirou muitos apresentadores que assim disseram em homenagens, desde a notícia do falecimento.

Por vezes o SBT destronou a Globo como na final de seu reality “casa dos artistas” e com a transmissão de novelas mexicanas recordes de audiência como “A Usurpadora” e “Maria do Bairro”, além de transmitir por décadas e popularizar os seriados Chaves (Chespirito) e Chapolin para um público incansável.

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Cristo redentor “vestido” de Silvio Santos. Crédito: reprodução