Claro e Abrint discordam sobre investimentos e eficiência do mercado móvel
A Abrint, que representa pequenos provedores de internet, divulgou nota de repúdio sobre a declaração de José Felix.
Durante o Painel Telebrasil que aconteceu nestes dias 5 e 6 de novembro, José Felix, presidente da Claro, chegou a declarar que uma possível entrada de provedores regionais no mercado de redes móveis, a exemplo do que já ocorreu com o mercado de banda larga, poderia “acabar com o setor de telecom. A Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) rechaçou a fala do executivo.
Em sua fala, Felix abordava o contraste dos altos investimentos feitos pela Claro e as outras grandes operadoras do país com o ARPU médio de apenas US$ 2. “Quando se subtrai o investimento necessário, paga a dívida e o capital do acionista, você vai ver que fica praticamente no zero a zero [sic].”
Além disso, o executivo destacou que, com o avanço de alternativas de telecomunicações acessíveis, o setor poderia enfrentar uma futura obsolescência da infraestrutura nacional. Ele defendeu que a estratégia ideal para o setor deveria ser focada na implementação de uma “plataforma moderna, eficiente e disponível”.
A Abrint criticou a visão expressa por Felix, defendendo a importância das PPPs para expandir a conectividade e garantir acesso à internet, especialmente em regiões remotas onde as grandes operadoras historicamente investem pouco.
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“As PPPs não apenas contribuem com o setor, mas são essenciais para a construção de uma rede de telecomunicações robusta, especialmente em um país com as dimensões e desafios do Brasil. Negar essa realidade é desconsiderar o papel que esses provedores desempenham ao reduzir o abismo digital, gerando emprego, renda e promovendo o desenvolvimento econômico”, diz trecho da carta.
A Abrint, em defesa de seus associados, acrescentou que a diversidade de provedores e a concorrência são essenciais para a inovação e a inclusão digital no Brasil. Além disso, a nota critica as grandes operadoras por causarem desorganização nos postes, com cabos antigos e abandonados, enquanto as PPPs mantêm a organização de suas redes com cabos ativos.
A representante também mencionou que os provedores regionais foram fundamentais na rápida recuperação de redes após desastres, como os recentes no Rio Grande do Sul e, por fim, reafirmou a necessidade de uma regulação equilibrada que valorize tanto as grandes operadoras quanto as PPPs, para fomentar o crescimento do setor e a inclusão digital no país.