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Os resultados da edição de 2025 do Índice Brasileiro de Conectividade ( IBC ) mostram um panorama de amplo progresso na conectividade nacional, ao mesmo tempo que revelam a persistência de desigualdades estruturais de natureza territorial, econômica e produtiva.
A média nacional do IBC aumentou de 52,4 pontos em 2024 para 55,3 pontos em 2025 (um crescimento de 2,95 pontos percentuais), com 82,8% dos municípios registrando melhorias durante o período . O componente de cobertura foi o mais disseminado, com progresso em mais de 92% das localidades.

O relatório, elaborado pela Diretoria de Universalização da Agência Nacional de Telecomunicações ( Anatel ), realiza pela primeira vez uma análise intertemporal do indicador, o que permite monitorar a evolução da conectividade nos municípios brasileiros ao longo dos anos e avaliar os impactos das políticas de universalização em vigor.
A variação recente do índice entre 2024 e 2025 mostrou um padrão espacial significativamente mais disperso, sugerindo que os ganhos de conectividade ocorreram de forma mais dispersa pelo território, com menor dependência da configuração histórica da infraestrutura .
“Este resultado é relevante do ponto de vista regulatório, pois indica que intervenções recentes e investimentos direcionados alcançaram locais que historicamente estavam fora dos eixos dinâmicos da expansão digital”, afirma o estudo.
Outra descoberta fundamental é a relação entre conectividade e desenvolvimento econômico. O estudo identifica uma associação positiva entre o nível de conectividade nos municípios e seu PIB per capita. Essa combinação resultou em quatro grupos de territórios:
- Grupo Crítico : municípios com baixa conectividade e renda abaixo da média nacional, totalizando 1.802 municípios (32,4% do total).
- Grupo Enclave : com rendimentos elevados, mas baixa conectividade, constituído por 775 municípios (13,9%) com economias baseadas em recursos naturais e agronegócio.
- Grupo Potencial : com boa conectividade e renda abaixo da média, sugerindo que a infraestrutura digital disponível ainda não se traduziu totalmente em benefícios econômicos locais. Este grupo compreende 983 municípios (17,6%).
- Grupo Desenvolvido : municípios com alta conectividade e renda acima da mediana, totalizando 2.010 municípios (36,1%).
Os resultados apontam para uma agenda de políticas públicas territorialmente diferenciada e sensível a cada setor. “Essa tipologia demonstra que a redução das desigualdades digitais no Brasil exige abordagens diferenciadas de acordo com o perfil territorial, e não é possível tratar a universalização digital e o desenvolvimento econômico como fenômenos intercambiáveis”, analisa o relatório.
Por exemplo, no caso do Grupo Enclave, municípios de grande relevância para a economia brasileira devido às suas atividades de mineração ou geração de energia hidrelétrica são alvos prioritários para mecanismos regulatórios que exigem abrangência ou fornecem subsídios específicos.
Enquanto isso, o Grupo Crítico, concentrado principalmente na Amazônia e no Nordeste, requer políticas de estruturação de longo prazo, com forte coordenação entre os Estados e mecanismos para subsidiar ou compartilhar infraestrutura passiva.