Estudo da Ookla aponta que infraestrutura limita uso de IA sobre redes 5G no Brasil
Apesar da expansão do 5G, o país apresenta uma das maiores latências entre usuários e provedores de nuvem analisados, o que pode afetar aplicações de inteligência artificial em tempo real.
A expansão do 5G no Brasil não garante, por si só, uma boa experiência para aplicações de inteligência artificial (IA).
Segundo estudo da Ookla, o principal gargalo brasileiro está além da rede móvel: a conexão entre as operadoras e os provedores de nuvem apresenta uma latência mediana entre 149,7 ms e 163,6 ms, uma das mais elevadas entre os 22 mercados avaliados, o que pode comprometer aplicações de IA que exigem resposta em tempo real.
O relatório revela que as redes 5G atuais conseguem atender satisfatoriamente aplicações de IA baseadas em texto e, em muitos casos, conversação por voz. No entanto, nenhum dos 22 mercados analisados alcança a latência considerada necessária para aplicações de realidade aumentada e visão computacional em tempo real, indicando que essas experiências ainda dependem de avanços na infraestrutura.
Diferentemente de mercados europeus, onde a latência entre operadoras e grandes provedores de nuvem varia pouco, o Brasil apresenta atrasos elevados em todos os principais hyperscalers analisados.
O estudo atribui esse desempenho à concentração da infraestrutura em São Paulo e ao número reduzido de conexões diretas (peering), fatores que aumentam o tempo necessário para que solicitações cheguem aos modelos de IA hospedados na nuvem.
As aplicações de IA utilizam a rede de maneira diferente dos serviços tradicionais de vídeo e navegação. Enquanto o consumo de conteúdo era predominantemente baseado em download, ferramentas como assistentes conversacionais, agentes de IA e aplicações multimodais aumentam significativamente a demanda por upload e por baixa latência.
Por isso, mercados líderes em velocidade de download nem sempre aparecem entre os mais preparados para suportar essas cargas de trabalho.
O relatório ressalta ainda que os indicadores tradicionalmente utilizados para medir a qualidade do 5G (especialmente a velocidade de download) deixaram de ser suficientes para avaliar a capacidade das redes diante da IA generativa.
Neste sentido, a Ookla recomenda que métricas como upload, latência sob carga e qualidade da conexão até a nuvem passem a ser consideradas.