BTG assume controle total da V.tal após decisão judicial

Venda da fatia da Oi ocorreu sem concorrência e sob oposição de credores, mas foi validada para destravar recuperação judicial.

A Oi teve homologada pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro a venda de sua participação remanescente de cerca de 27% na V.tal, consolidando o controle integral da companhia pelo BTG Pactual, que já detinha mais de 70% do ativo.

A decisão foi tomada em 1º de abril, mesmo diante da oposição de credores relevantes e de manifestações contrárias do Ministério Público, em um movimento voltado a destravar a recuperação judicial da operadora.

Um dos principais pontos de tensão da operação está no valor. A proposta do BTG ficou em torno de R$ 4,5 bilhões, com possibilidade de pagamento adicional de até R$ 500 milhões atrelado a eventos futuros.

O montante representa cerca de um terço do piso de R$ 12,3 bilhões estabelecido originalmente no edital, o que levou credores a contestarem a transação sob o argumento de perda de valor. A avaliação que prevaleceu na decisão judicial foi a de que o parâmetro anterior não refletia mais as condições de mercado.

A ausência de concorrência reforçou esse cenário. O processo contou com apenas uma proposta vinculante, apresentada pelo próprio BTG. Sem disputa, não houve formação de preço em ambiente competitivo, elemento que sustentou parte das críticas feitas por credores ao longo do processo.

Com a operação, o BTG passa a deter 100% da V.tal e encerra de forma definitiva o vínculo societário com a Oi na empresa de infraestrutura. O banco, que já controlava a companhia, ganha liberdade para definir os próximos movimentos estratégicos, incluindo eventual reestruturação, entrada de parceiros ou monetização futura.

Contudo, a decisão judicial impôs restrição à realização de oferta pública inicial (IPO) da companhia por até 24 meses, com previsão de penalidades em caso de descumprimento. A relevância do ativo vai além da disputa financeira.

A V.tal opera a maior rede neutra de fibra óptica do país, com cerca de 400 mil quilômetros de extensão, reúne uma base relevante de clientes de banda larga herdada da Oi e abriga operações de data centers por meio da Tecto. Esse conjunto posiciona a empresa como um dos principais ativos de infraestrutura digital no Brasil, combinando conectividade e capacidade de processamento em um momento de expansão de tráfego e demanda por serviços digitais.