Projeto OpenRAN Brasil cresce e alcança as regiões Norte, Sul e Nordeste

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

Imagina poder criar e testar tecnologias para 5G e 6G sem precisar sair da sua região ou investir milhões em equipamentos próprios? É exatamente isso que a nova fase do projeto OpenRAN@Brasil proporciona a desenvolvedores de softwares. Com a abertura de novos laboratórios de testes (os chamados testbeds) nas regiões Norte, Sul e Nordeste, o Governo do Brasil está levando as chamadas ilhas de experimentação das redes móveis para perto de startups e universidades de todo o País. Os laboratórios do Centro-Oeste e Sudeste funcionavam. 

Agora, desenvolvedores brasileiros têm locais de livre acesso para garantir que seus sistemas operacionais funcionem em qualquer antena, quebrem barreiras globais e acelerem a criação de soluções locais para cidades inteligentes, agronegócio e saúde. O objetivo é levar o ambiente de testes para perto dos ecossistemas regionais de inovação. 

E com essa novidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anuncia a nova fase de expansão do Projeto OpenRAN@Brasil. A iniciativa é estratégica e visa desagregar e democratizar as redes de acesso via rádio (RAN). O projeto é coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização vinculada ao MCTI, com suporte técnico do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD). 

O que é o Open RAN e por que ele é estratégico? 

A arquitetura Open Radio Access Network (Open RAN) representa uma mudança de paradigma nas telecomunicações. Ao contrário do modelo tradicional, em que o hardware e o software são integrados e fornecidos por um único fabricante (vendor lock-in), o Open RAN permite que diferentes componentes de uma rede móvel sejam interoperáveis. 

Essa abertura de padrões possibilita que empresas nacionais desenvolvam softwares específicos que funcionem em equipamentos de diversos fabricantes. Iss reduz custos de implementação e aumenta a soberania tecnológica brasileira na infraestrutura do 5G e nas futuras redes 6G. 

Expansão regional: redes de Norte a Sul 

Com o sucesso dos primeiros bancos de ensaio (testbeds) no Sudeste e no Centro-Oeste, o MCTI e a RNP selecionaram novas instituições para hospedar as chamadas ilhas de experimentação. Cada uma das novas unidades tem um foco específico: 

  • Região Norte: foco em soluções de conectividade para áreas de floresta e monitoramento ambiental, sob liderança da Universidade Federal do Pará 
  • Região Nordeste: desenvolvimento de aplicações para cidades inteligentes e segurança pública, com polo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
  • Região Sul: integração com a indústria automotiva e logística avançada, por meio de consórcios liderados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e parceiros 

O Centro-Oeste presente para além de Brasília 

A Universidade Federal de Goiás (UFG) consolidou-se como um dos pilares técnicos do projeto por meio do Centro de Excelência em Redes Inteligentes Sem Fio e Serviços Avançados (Cerise). A universidade atua como uma Unidade Executora e Hospedeira, servindo de ponte entre a pesquisa acadêmica e a aplicação industrial. A contribuição da UFG destaca-se em três frentes:  

  • Hospedagem de testbeds: a UFG mantém infraestrutura física onde startups e empresas podem testar seus softwares de rede em condições reais, utilizando o espectro de radiofrequência licenciado para pesquisa 
  • Desenvolvimento de algoritmos: pesquisadores goianos trabalham na criação de controladores inteligentes (RIC – RAN Intelligent Controller), que utilizam inteligência artificial para otimizar o tráfego de dados e economizar energia nas torres de celular 
  • Formação de mão de obra: como polo no Centro-Oeste, a UFG qualifica engenheiros e desenvolvedores para atuar no mercado de telecomunicações, suprindo a carência de profissionais especializados em redes virtualizadas 

O berço da inovação 

Antes de ganhar escala nacional, o OpenRAN@Brasil se consolidou em polos que já são referências globais em telecomunicações.  

  • CPQD (Campinas-SP): como braço técnico central, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações foi o responsável por orquestrar a integração de diferentes fornecedores. Foi lá que os primeiros testes provaram que era possível fazer um rádio de um fabricante conversar com o software de outro  
  • Inatel (Santa Rita do Sapucaí-MG): conhecida como o Vale da Eletrônica, a instituição focou no desenvolvimento de hardware nacional e em soluções de small cells (antenas menores para adensamento de rede), fundamentais para a cobertura 5G em ambientes urbanos complexos 
  • USP (São Paulo-SP): a Universidade de São Paulo explorou a virtualização das funções de rede e como o processamento em nuvem (Edge Computing) poderia tornar as conexões mais rápidas e baratas