Sem Huawei, Portugal sofreria sério dano em suas redes e economia, diz estudo

De acordo com o estudo The role of Huawei and its impact in Portuguese society, da consultoria EY, barrar a Huawei em Portugal levaria o país a um considerável déficit econômico, além de impedir a plena implementação de suas redes 5G

Isso porque o ecossistema da gigante chinesa gera, anualmente, 718 milhões de euros para a economia portuguesa, o que representa aproximadamente 0,3% do PIB, sustentando 4 mil empregos diretos e indiretos no país.

A análise mostra que este impacto seria amplificado, com um efeito multiplicador. Os custos das despesas com substituição de equipamentos e infraestrutura, incluindo investimentos futuros, são calculados em cerca de 500 milhões de euros.

Além disso, uma eventual exclusão da Huawei de Portugal, elevaria as tarifas médias dos serviços de telefonia e conectividade no país.

Além dos impactos financeiros, sem a Huawei o mercado português teria menor concorrência, prejudicando sua competitividade econômica e, consequentemente, a eficiência das redes. Sua ausência poderia afetar negativamente também o desenvolvimento de setores estratégicos, como a transição digital e energética, afirma o estudo.

A decisão de banir a Huawei em Portugal envolve preocupações com segurança cibernética, grande parte por pressão dos Estados Unidos. Sandra Maximiano, presidente da Anacom (Agência Nacional de Comunicações) disse que essa é uma decisão do governo português e da própria União Europeia. Ela apenas acrescentou que sem a Huawei, o país teria que buscar outras alternativas.

De fato, uma das principais operadoras por lá, a MEO, que só utilizava infraestrutura da Huawei, passou a negociar novos contratos com a Nokia, especialmente para o fornecimento de RAN 5G.

O estudo destaca ainda que a Huawei atua em Portugal há 20 anos e que a empresa desempenhou um papel fundamental na modernização das redes de telecomunicações do país desde a criação da primeira rede HSDPA em 2005, até a mais recente tecnologia móvel, o 5G.