Anatel abrirá consulta pública sobre faixa de 6 GHz já em fevereiro
A agência também submeterá a frequência a estudos para entender como se dará a convivência em uso dividido para wi-fi e redes móveis.
Durante a reunião do Conselho Consultivo da Anatel nesta segunda-feira, 5, o superintendente Abraão Balbino revelou que faz parte da agenda regulatória para 2024 abrir consulta pública sobre o uso da faixa de 6 GHz entre esta e a próxima semana de fevereiro.
Segundo Balbino, a consulta pública buscará respostas para dois questionamentos principais:
O primeiro, é entender o que se imagina, em termos de crescimento de tráfego e uso de banda, especialmente para as redes móveis, qual é demanda para alocação de mais faixa, além das existentes, “principalmente considerando que o maior leilão de espectro que o Brasil fez em sua história ocorreu há apenas três anos”, explicou o superintendente se referindo ao leilão 5G.
O segundo questionamento é para os defensores do uso exclusivo da faixa de 6 GHz para o wi-fi, e buscará entender qual é a necessidade da disponibilidade de 1 GHz de espectro, dedicado principalmente para uso indoor, se o serviço já é atendido com significativamente menos banda.
“Ao nosso ver existe um pouco de ‘forçação de barra’ e excessos no discurso dos dois lados”, disparou Balbino. “Nós não vamos fazer reserva de faixa para nenhuma indústria e não haverá privilégio para indústria A em detrimento da B”, explicou.
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O superintendente acrescentou que, mesmo que não seja necessário fazer um leilão de espectro agora, e ficar entendido pela Anatel que a faixa de 6 GHz também não será mais destinada inteiramente para o wi-fi, será repensado o melhor futuro para o seu uso “pensando no bem-estar do ambiente no Brasil”, uma vez que foi essa liberdade de decisão que a delegação buscou na WRC-23 em Dubai.
Possibilidades para o Wi-fi 6
Além da consulta pública, a agência também submeterá o uso do espectro 6 GHz a estudos que comprovem se é possível a convivência da faixa para ambas designações (entre a próxima geração de internet fixa sem fio, o wi-fi 6 e as redes móveis).
A decisão de incluir o Brasil na WRC-23, como um dos países que podem usar o espectro de 6 Ghz de forma dividida, abriu diferentes possibilidades para o país, cujos cenários são:
- manter toda a faixa para o wi-fi o que amplia a possibilidade de desenvolvimento do wi-fi 6E e wi-fi 7 indoor e outdoor, além de melhorar sua capacidade de transmissão;
- dividir a faixa entre o wi-fi e IMT, o que possibilitaria uma nova licitação para desenvolvimento do 5G e 6G;
- dividir a faixa entre o wi-fi e o IMT, mas permitindo o uso total para o wi-fi indoor, o que restringiria seu uso para o outdoor e por isso é uma possibilidade de carece de maiores estudos.
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Vinicius Caram, Superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, também abordou o debate em curso sobre o acesso à faixa de 6 GHz para as redes 5G, enfatizando preocupações com velocidades menores, custos para os consumidores, enquanto o comércio também depende da indústria 4.0 nessa faixa para montar suas redes privativas de alta capacidade.
Caram compartilhou a perspectiva do Wi-Fi Alliance, destacando a importância crucial do acesso à faixa de 6 GHz para garantir evolução sem riscos e valor econômico para o futuro da rede sem fio, especialmente diante das demandas emergentes por canais mais amplos para casos como vídeo de alta resolução, automação, realidade aumentada e metaverso.