A Universidade de São Paulo (USP), a FIESP e o SENAI-SP inauguraram, no InovaUSP, uma nova infraestrutura de fabricação de semicondutores em escala compacta e modular, batizada de PocketFab USP–FIESP–SENAI. Segundo as instituições, trata-se de um modelo inédito no Brasil voltado à produção de chips em lotes menores e aplicações específicas.
Diferentemente das fábricas tradicionais de grande porte, a PocketFab foi concebida como uma estrutura reconfigurável e voltada à inovação rápida, com foco em aproximar a pesquisa acadêmica da manufatura industrial. A proposta é permitir o desenvolvimento e a validação de semicondutores para nichos estratégicos da indústria nacional, reduzindo a dependência de fornecedores externos.
A nova unidade terá capacidade estimada de produzir até 10 milhões de componentes por ano e deve cobrir etapas que vão do design de chips, conduzido pela USP, até a validação, integração e aplicação industrial, sob liderança do SENAI-SP.
A DPL News já havia noticiado, em 2023, articulações nesse sentido envolvendo parcerias de empresas dos Estados Unidos voltadas ao desenvolvimento do ecossistema brasileiro de semicondutores, conforme afirmou o docente Marcelo Knörich Zuffo, coordenador do Centro de Inovação da USP.
Pesquisadores ligados à Poli já defendiam a criação de uma base nacional mais robusta em semicondutores, combinando design, formação de pessoal e aproximação com a indústria. Agora essa agenda passa a contar também com infraestrutura local de manufatura em escala piloto.
“Não queremos apenas um laboratório. A parceria com o SENAI-SP permite que a formação e a pesquisa em semicondutores se convertam em aplicação industrial”, endossou o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior.
Zuffo reforçou que a fábrica contará com equipamentos de alta precisão já em fase de instalação. Ele define o projeto como uma mudança de paradigma por adotar um modelo “modular, flexível e não massivo” de produção de chips.
A infraestrutura deve atender demandas de setores como automotivo, máquinas e equipamentos e dispositivos médicos, com foco no desenvolvimento de semicondutores para sistemas de assistência ao motorista (ADAS), sensores industriais e equipamentos de diagnóstico.
Além da produção, a PocketFab também será usada na formação de profissionais especializados em microeletrônica, em linha com demandas associadas à Indústria 4.0, internet das coisas e inteligência artificial.
O diretor regional do SENAI-SP, Ricardo Terra, afirmou que a iniciativa busca transformar conhecimento científico em aplicação prática. “Criamos condições para inovar, trazer mais resiliência para as cadeias produtivas nacionais e fortalecer a competitividade industrial”, disse.