As principais operadoras móveis – Claro Brasil, TIM Brasil e Telefônica Brasil (Vivo) – apresentaram contribuições à consulta pública da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre requisitos técnicos para a TV 3.0, alertando para risco potencial de interferências em redes já em operação na faixa de 700 MHz.
As empresas defendem a realização de estudos formais de convivência espectral, testes em campo e limites mais rígidos para emissões fora de banda antes da autorização de novos parâmetros técnicos de transmissão.
A TIM avalia que a adoção de tecnologias como MIMO (múltiplas antenas receptoras) e técnicas avançadas de modulação pode alterar a distribuição de potência dentro do canal de TV e elevar o risco de interferência sobre redes LTE e 5G em faixas adjacentes.
Já a Claro destaca que a proximidade entre o último canal de TV em UHF (692–698 MHz) e a faixa móvel de 700 MHz pode reduzir a banda de guarda efetiva para cerca de 5 MHz em cenários mais críticos, com impacto potencial na qualidade do sinal em terminais móveis próximos a torres de transmissão.
A Telefônica (Vivo) defende a importância estratégica das frequências abaixo de 1 GHz para expansão da cobertura móvel e citou a faixa de 600 MHz como possível complemento às bandas de 700 e 850 MHz.
A operadora argumenta que a eventual liberação desse espectro deve ser precedida do remanejamento dos serviços hoje em operação, para evitar que os custos recaiam sobre as vencedoras de um futuro leilão e atrasem o uso efetivo da faixa.
Do lado da radiodifusão, entidades como ABERT, SET e ABRATEL sugerem ajustes pontuais na minuta. Entre eles, maior flexibilidade na aplicação de critérios de proteção em áreas próximas às torres transmissoras e esclarecimentos sobre a replicação inicial das áreas de cobertura durante a transição tecnológica.
Para as entidades, modelos atuais de propagação podem superestimar riscos teóricos de interferência que não se confirmam em condições reais de operação.
A consulta pública integra o processo regulatório de definição das condições técnicas para a implantação da TV 3.0, cujo lançamento comercial é esperado para o segundo semestre de 2026. O debate ocorre no contexto da proposta da Anatel de destinar novas faixas de espectro na casa dos 300 MHz.