Rio de Janeiro, Brasil. As operadoras da América Latina vivem o dilema de como manter eficiência em redes cada vez mais complexas e, ao mesmo tempo, capturar novas receitas em segmentos B2B? A resposta passa por IA, automação, segurança e APIs abertas, segundo executivos reunidos no painel “Monetizar ou otimizar?”, do evento Telco Transformation Latam, que ocorre nestes dias 27 e 28 de agosto.
O desafio é claro: a maior parte das receitas das teles ainda vem do consumidor final, mas o crescimento futuro está nas empresas. Estimativas citadas no encontro apontam que, em até 10 anos, o B2B pode chegar a responder por metade da receita do setor.
Para estarem preparadas, as operadoras precisam transformar suas redes em plataformas capazes de habilitar ecossistemas digitais, oferecendo desde network slicing em setores de grande crescimento como a mineração e até serviços de cibersegurança para PMEs.
“Temos que ser ambidestros: investir em eficiência, redes autônomas e sustentabilidade, mas ao mesmo tempo crescer de forma muito focalizada, onde haja rentabilidade”, disse Christian Livia Cavalie, da Movistar Perú, citando justamente o foco na mineração e lembrando que a expansão do 5G, ainda que em diferentes fases de implementação na região, será seletiva e guiada por retorno de negócio.
A Nokia, representada por Carlos Gramajo, foi mais fundo com um olhar para o Open Gateway, onde tem investido fortemente.
“Quantos ícones, quantos aplicativos nos smartphones hoje pertencem às operadoras? Talvez apenas o próprio telefone e o SMS, mas o valor agregado está no ecossistema de aplicativos que está ali. Quando falamos em transformar a rede em uma plataforma, falamos justamente em levar para o ecossistema digital as capacidades que a nova tecnologia traz.”
Em outras palavras, para Gramajo, redes não podem ser apenas infraestrutura, precisam se tornar plataformas. “Isso significa expor capacidades via APIs e permitir que parceiros desenvolvam novos serviços sobre elas”, reforçou.
Seguindo quase o mesmo raciocínio, David Serrano Aranda, da Minsait, acredita que o caminho está em serviços B2B de governo, cibersegurana e modelos de network as a service, em parceria com o ecossistema como um todo. Ele também frisou que na região o custo de capital elevado obriga as operadoras a primeiro otimizar, para depois reinvestir em novas ofertas.
Do lado da segurança, Felipe Ruiz Rivillas, CISO da Liberty Latin America, alertou que cortar custos sem estratégia pode ser arriscado: “Cada corte impacta os controles de segurança. Precisamos rever contratos e processos estáticos, mas sem comprometer a resiliência.”
Já, Guillermo Figueredo, da Antel Uruguai, reforçou que a automação é a chave para romper a falsa dicotomia entre monetizar e otimizar: “O recurso mais escasso hoje é o tempo das nossas equipes. Automatizar é o que nos permite fazer as duas coisas de maneira custo-efetiva.”
Por último, David Serrano Aranda, da Minsait, lembrou que na região o custo de capital elevado obriga as operadoras a primeiro otimizar, para depois reinvestir em novas ofertas: “O caminho está em serviços B2B de governo, cibersegurança e modelos de network as a service em parceria com o ecossistema.”
Por fim, o concenso ficou subentendido: a sobrevivência das teles na América Latina depende menos de vender gigabytes e mais de integrar soluções digitais para empresas, de olho nesse crescimento prometido. IA, automação e segurança aparecem como ferramentas centrais para tornar esse salto possível.