Após uma série de testes em desenvolvimento no Brasil, a espanhola Sateliot e o CPQD concluíram uma demonstração comercial de conectividade para Internet das Coisas (IoT) em uma área sem cobertura celular.
O experimento representa um novo passo na estratégia das empresas de integrar redes móveis e satélites de órbita baixa (LEO) para ampliar a conectividade em regiões remotas do país, com foco inicial na pecuária.
A validação foi realizada com um dispositivo de rastreamento de baixo consumo energético voltado ao monitoramento de bovinos. Segundo as empresas, a solução permitiu a comunicação por meio da rede satelital da Sateliot utilizando equipamentos NB-IoT convencionais, sem necessidade de adaptações específicas de hardware.
A demonstração foi realizada no rastreamento de rebanhos, uma das aplicações apontadas como prioritárias para regiões rurais. A proposta é que sensores possam transmitir informações mesmo em áreas afastadas dos centros urbanos, ampliando as possibilidades de monitoramento de animais, máquinas e ativos agrícolas.
Além do agro, as empresas apontam potencial de uso em segmentos como logística, monitoramento ambiental, mineração e utilities. A ideia é permitir que dispositivos permaneçam conectados independentemente da disponibilidade de cobertura celular convencional.
O teste também integra as atividades do programa Conecta o Brasil LEO NTN, voltado ao desenvolvimento e à validação de soluções baseadas em satélites de órbita baixa para o mercado brasileiro. A iniciativa reúne esforços para avaliar modelos de conectividade capazes de reduzir lacunas de cobertura em diferentes regiões do país.
O avanço ocorre em um momento em que a conectividade via satélite passa a ocupar espaço crescente nas estratégias de inclusão digital e expansão da Internet das Coisas, sobretudo com o direct to device (D2D), voltado para aplicações que dependem de comunicação em áreas remotas.