“Open Gateway avança silenciosamente, apesar da competição”, diz José Félix da Claro Brasil

CEOs das principais teles do Brasil discutiram suas visões sobre novas fontes de receita e futuro do setor.

Brasília. O CEO da Claro Brasil, José Félix, aposta no Open Gateway como uma oportunidade que pode alterar a dinâmica do mercado. “Pelo menos a Claro está tentando explorar isso em vários produtos destinados ao mercado corporativo e isso tende a aumentar na medida em que todos os outros operadores criem esses produtos”, declarou durante o Painel Telebrasil Summit 2025, desta terça-feira (2).

Em sua percepção, a iniciativa tem avançado silenciosamente e de forma até “admirável”, considerando a raiz competitiva do setor. Diante disso, Félix cobrou não só maior convergência como melhoria de retorno aos investimentos, cabendo maior atenção da reguladora a estes aspectos.

“Não precisamos de mais competição, mas mais organização. Já há competição demais. Este setor onde a tecnologia muda a cada instante, requer muito investimento, o que só será possível ser feito por empresas sadias”, ressaltou.

Falando em Fibra, Félix tem uma abordagem segundo ele, realista. O CEO frisou a impossibilidade de conectar todo o país por fibra sugerindo uma combinação de tecnologias.

Christian Gebara, CEO da Vivo, também concentrou parte de sua fala na reestruturação do negócio de fibra. Ao retomar o controle da FiBrasil, a operadora busca acelerar a expansão com maior autonomia e reduzir o Capex, diante de um modelo de redes neutras que não amadureceu como esperado no Brasil. 

“Dos 30 milhões de domicílios passados pela Vivo, 4,5 milhões são oriundos da FiBrasil. A penetração de clientes sobre a rede é mais baixa do que a média que nós tínhamos na rede própria da Vivo, então tivemos uma oportunidade de poder integrar novamente essa rede, que foi construída dentro dos nossos estándares”, explicou.

Ele também destacou a diversificação dos serviços digitais que já representam mais de 11% da receita, incluindo saúde, educação, inclusão financeira e soluções B2B em nuvem e cibersegurança. Para ele, o diferencial está em monetizar a base de 116 milhões de acessos com novos verticais, fortalecendo a resiliência do negócio.

Alberto Griseli, CEO da TIM e atual presidente da associação, abriu destacando que as operadoras deixaram de ser apenas fornecedoras de conectividade para se tornarem o pilar central da “digitalização do PIB”.

Ele citou o agronegócio como exemplo: em apenas cinco anos, a TIM ampliou a cobertura para 24 milhões de hectares, viabilizando ganhos de produtividade, inclusão digital de comunidades rurais e práticas sustentáveis. Para Griseli é preciso mirar setores estratégicos, transversalizando a conectividade. 

O executivo também defendeu que a inteligência artificial já é motor de eficiência interna e deve evoluir para serviços diretos ao cliente. Na frente institucional, ressaltou a reforma tributária como prioridade regulatória.