Nokia vê faixa de 6 GHz como peça-chave para o 6G no Brasil
Fabricante afirma que estudos de propagação indicam viabilidade da faixa com a infraestrutura atual e aposta em inteligência artificial como elemento central da evolução das redes móveis.
A Nokia já está desenvolvendo equipamentos para a operação da próxima geração móvel na faixa de 6 GHz. A fabricante entende que o espectro terá papel relevante na evolução das redes móveis nos próximos anos, à medida que a indústria adentra no ciclo do 5G Advanced em direção ao 6G.
Embora a atribuição efetiva da faixa ainda dependa de discussões regulatórias internacionais e do próprio leilão no Brasil previsto para 2028, Hugo Baeta, country manager da Nokia no Brasil, afirmou que a empresa se antecipa no desenvolvimento de um portfólio preparado para acompanhar esse movimento, já tendo realizado estudos de propagação para avaliar o comportamento da frequência em cenários reais de implantação.
“À medida que a indústria começa a discutir as faixas candidatas ao 6G, a Nokia defende que os 6 GHz podem ser incorporados às futuras redes móveis sem exigir uma expansão significativa da infraestrutura existente. O 6 GHz tem uma frequência muito boa e bastante compatível com o que a gente chama de grid, a malha de sites existentes” explicou.
A defesa do executivo neste sentido, responde a uma das principais preocupações da indústria em relação aos 6 GHz é o impacto sobre a cobertura das redes. Faixas mais elevadas costumam exigir maior densidade de antenas, elevando os custos de expansão.
Mas segundo Baeta, os estudos conduzidos pela empresa, porém, indicam que a frequência apresenta características de propagação compatíveis com a infraestrutura já utilizada pelas operadoras. “O objetivo é que a infraestrutura comum, onde rodam os softwares e os algoritmos, seja potencializada, mas não substituída”, frisou.
Rede nativa em IA
Para a Nokia, a próxima etapa de evolução das redes não será marcada apenas pelo aumento de velocidade, mas pela incorporação de inteligência artificial nativa à operação dos sistemas. A empresa projeta que futuras redes móveis utilizarão algoritmos desenvolvidos especificamente para IA, ampliando a eficiência no uso de espectro e energia.
Nesse cenário, a faixa de 6 GHz é vista pela Nokia como um dos componentes que poderão ampliar a capacidade das redes em um momento de crescimento do tráfego associado a aplicações de inteligência artificial com agentes, computação distribuída e novos serviços digitais.