Magalu Cloud recebe aporte de R$ 300 mi do BNDES para expandir data centers no Brasil 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 300 milhões para a Magalu Cloud ampliar sua infraestrutura de computação em nuvem no Brasil. A operação, realizada por meio do programa BNDES Mais Inovação, apoiará investimentos em pesquisa, desenvolvimento e expansão operacional da companhia, incluindo a contratação de um novo data center em Fortaleza (CE).

Criada pelo Magazine Luiza em 2020, a Magalu Cloud surgiu inicialmente para atender à demanda tecnológica do próprio ecossistema digital da varejista, mas passou a operar também como provedora de serviços de nuvem para outras empresas. A companhia busca se posicionar como alternativa nacional em um mercado dominado por grandes grupos globais de tecnologia.

Os recursos serão direcionados principalmente à unidade de pesquisa da empresa em São Carlos (SP), além da compra de processadores, equipamentos de rede e ampliação da equipe técnica. A expectativa é que o quadro de pesquisa e desenvolvimento ganhe 170 novos profissionais até 2028.

Atualmente, a Magalu Cloud opera cinco data centers: três na Grande São Paulo e dois em Fortaleza, e planeja expandir sua operação com a contratação de uma sexta unidade na capital cearense.

Segundo o BNDES, trata-se da primeira operação do banco voltada especificamente à expansão de uma empresa nacional de armazenamento em nuvem com infraestrutura localizada no país e operações realizadas em reais.

O presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o financiamento está alinhado à estratégia de fortalecimento da soberania digital e tecnológica brasileira. Segundo ele, o projeto também busca ampliar a participação de empresas nacionais no segmento de plataformas digitais e estimular a formação de profissionais especializados.

A discussão sobre soberania de dados ganhou relevância nos últimos anos diante da concentração global do mercado de cloud nas mãos de hyperscalers estrangeiras como Amazon, Microsoft e Google. O tema também envolve preocupações regulatórias relacionadas ao armazenamento de dados brasileiros em infraestruturas sujeitas a legislações internacionais.

De acordo com estimativas citadas pelo BNDES, o mercado brasileiro de computação em nuvem pode crescer de US$ 20 bilhões em 2024 para cerca de US$ 80 bilhões até 2032, impulsionado principalmente pela expansão da inteligência artificial generativa e pela modernização de aplicações digitais.