Lula anuncia investimento chinês de R$ 27 bi no Brasil com foco em tecnologia
Durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em Comitiva com o ministro das Comunicações, Brasil e China 20 acordos que abrangem diversas áreas, incluindo comércio, agricultura, ciência, tecnologia e investimentos. As estatais Telebras e Dataprev são duas das beneficiárias do investimento chinês que soma R$ 27 bilhões (cerca de US$ 4,8 bilhões).
Entre os acordos, destaca-se a ampliação da colaboração em tecnologias da informação e comunicação, com ênfase no desenvolvimento de semicondutores, 5G, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial (IA) e energia fotovoltaica inteligente.
“Tenho a necessidade de fazer uma revolução digital no nosso país. Não é correto a gente não dar a mesma oportunidade que em outros países”, disse Lula.
A Telebras, conforme divulgado anteriormente, firmou um memorando de entendimento com a chinesa Shanghai SpaceSail Technologies para estudar soluções de internet via satélite voltadas para áreas rurais e regiões de difícil acesso, onde a infraestrutura de fibra óptica é limitada.
“Tem coisas que têm de ser, inexoravelmente, do Estado. É assim na Alemanha, na França e nos Estados Unidos”, declarou Lula se referindo a retirada da Telebras do plano de desestatização estabelecido pelo governo anterior.

Huawei e Dataprev
A Dataprev, por sua vez, firmou um acordo de cooperação técnica com a Huawei para estabelecer um Centro Virtual de Pesquisa e Desenvolvimento em Inteligência Artificial.
Este centro visa apoiar o desenvolvimento de soluções em colaboração com universidades localizadas nas capitais do Nordeste brasileiro, como Fortaleza, João Pessoa e Natal. O centro é virtual, sem sede física, e utilizará, sempre que necessário, as instalações e infraestrutura da Dataprev na região.
Universidades dessas capitais também farão parte da iniciativa, que prevê a entrega de alguns protótipos ou MVPs baseados nos modelos de IA da Huawei ainda este ano.
Como parte do acordo, a Huawei está desenvolvendo uma versão básica de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) em português e oferecendo linguagens prontas com treinamento especializado para diferentes setores.
Dos dez modelos disponíveis com foco setorial, cinco foram inicialmente selecionados para transferência de tecnologia: modelos de linguagem treinados nas áreas de administração e serviços públicos, saúde, educação, segurança e agricultura.
“Fizemos uma visita à Huawei numa demonstração de que queremos dizer ao mundo que não temos preconceito com o povo chinês. E que ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China”, declarou o presidente Lula.
Cooperação bilateral em expansão
Além das áreas de telecomunicações e tecnologia, os acordos assinados envolvem setores como agricultura, educação, esportes, saúde, finanças, turismo e meio ambiente. A ampliação da cooperação visa não apenas o desenvolvimento econômico, mas também o fortalecimento de uma aliança estratégica entre os dois países que já cooperam no BRICS.
“Ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China”, enfatizou Lula durante a visita à Huawei, se referindo às sanções às tecnologias chinesas e à própria empresa em alguns países do ocidente, por pressão estadunidense.
A relação entre Brasil e China já rendeu, em 2023, um comércio bilateral recorde de US$ 157,5 bilhões, com superávit de US$ 51 bilhões para o Brasil.