Dia do meio ambiente: data centers verdes realmente são possíveis?

Neste 5 de junho se celebra o dia do meio ambiente. A DPL News te conta como um setor que demanda tanta energia tem se beneficiado de fontes renováveis para se manter sustentável.

A resposta é sim. E apesar de ter um mercado de data centers relativamente novo, nascido há apenas 25 anos, o Brasil já lidera essa frente no setor e se prepara para ser uma referência global

Inclusive, já existem fundos de investimentos em data centers que os bonificam pela neutralidade de carbono, contou Gustavo Moraes, presidente da ABDC (Associação Brasileira de Data Centers), à DPL News.

“Não há nada nos data centers que gere resíduos em suas operações normais, no máximo há queima de diesel quando são utilizados geradores, mas isso ocorre apenas em caso de emergência e em breve também será substituído por hidrogênio”, ressaltou.

Para Moraes, este é um cenário positivo ao considerar que atualmente também é muito utilizado sistemas de refrigeração que estão próximos do consumo zero de água. Um caso próximo a este, que utiliza água, mas de chuva, são os data centers da Equinix, que utilizam a tecnologia liquid cooling.

Data center que já nasce sustentável

O mais recente empreendimento, o RJ3, será o primeiro do Brasil e um dos primeiros da empresa na América Latina a adotar a tecnologia Cool Array, usada como parte de um esquema de contenção de inundação que separa as áreas quentes e frias no piso do data center.

Isso ajuda os clientes a suportarem cargas de trabalho muito densas e refrigeradas a ar de maneira eficiente, melhorando o índice PUE (eficácia do uso de energia).

“Este é um site que já nasce pronto para receber tecnologias digitais. Eu acho que a gente tem que fazer uma análise de liquid cooling, se for necessário, porque nem todo cliente ainda o utiliza; nem todo cliente usa um ambiente tão denso para que o uso seja necessário”, disse Vitor Arnaud, presidente da Equinix no Brasil.

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Quando o RJ3 estiver pronto, cuja previsão é para o segundo semestre de 2026, com um investimento de US$ 94 milhões (quase meio bilhão de reais), qualquer risco nas tecnologias de resfriamento com água já estará mitigado. Os testes são feitos no laboratório da empresa em Washington, nos Estados Unidos, contou Arnaud.

Apesar de atender diferentes mercados, o RJ3 se posicionará numa região no estado do Rio de Janeiro onde diversas empresas das áreas de energia e mineração – dois setores altamente poluentes – se concentram, podendo converterem-se em potenciais clientes. A DPL News questionou a Arnaud sobre um possível conflito com a mentalidade da empresa se isso acontecer.

“Emitimos desde 2015 relatórios transparentes aos nossos clientes sobre emissão de carbono, detalhando nossa eficiência na limpeza da cadeia de valor deles para que possam avaliar essas questões internamente”. 

Os relatórios são feitos individualmente por cliente e o presidente da Equinix no Brasil acredita que isso possa ser no mínimo um bom começo para elas reverem suas emissões de carbono.

Ainda conforme Gustavo Moraes, com base em dados da ABDC, a redução da eficiência energética tem sido extremamente significativa ao longo dos anos, esperando que até o próximo ano chegue a 1,3 Kw. Atualmente esse índice é de 1,5 Kw, como pode ser visto no gráfico abaixo.

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