Altos custos em infraestrutura ameaçam sustentabilidade da indústria de cabos submarinos
Durante painel no evento LACNIC40, Sparkle do Grupo Tim, questionou como lançar mais cabos se os investimentos não se pagam
Fortaleza, CE.- Aumentar a vida útil dos cabos e maximizar sua eficiência é uma prioridade na indústria de cabos submarinos, porém, isso esbarra no alto custo de investimentos. “Nós temos um investimento muito alto em cabos submarinos e sofremos muita pressão por custos mais baixos. Como vou lançar mais cabos se o investimento não se paga?”, questionou Fábio Monteiro, gerente de vendas da Sparkle.
Para ele, a discussão ganha relevância diante da alta necessidade de comunicação pelos oceanos, a qual é responsável por 90% do tráfego, além de barrar o surgimento de novas brands no setor. “A indústria corre o risco de deixar de ser viável, o que já vem ocorrendo”, alertou.
Na visão de outros atores presentes no painel do evento LACNIC40, para garantir a rentabilidade, a indústria de cabos submarinos está focada na inovação e na diversificação de mercados atendidos. Uma maneira de alcançar isso é agregar serviços além da simples transmissão de dados. Por exemplo, a incorporação de tecnologias de sensores para monitorar o ambiente submarino, como migrações de baleias ou atividade de barcos, oferece novas oportunidades de monetização, apontou Lucenildo Lins, engenheiro da Angola Cables. “Esta já é uma tecnologia existente, mas como monetizá-la e agregar mais essa plataforma, é algo que precisa ainda ganhar forma.”
Leia: Cabos submarinos: Internet no fundo mar
Fortaleza: um hub importante na América Latina
Recentemente a internet do Brasil se vê ameaçada com a construção de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, que pode comprometer os cabos submarinos em Fortaleza (CE), um importante hub de cabos submarinos para toda a América Latina.
Com a quebra dos cabos Wacs e Sat3, em agosto de 2023, a cidade se destacou como um ponto crucial de interconexão global. Esse episódio evidenciou a importância crescente da Praia do Futuro, que agora desempenha um papel vital na restauração das conexões transoceânicas, ligando continentes e impulsionando a conectividade digital em todo o mundo.