A Starlink já tem mais clientes em áreas urbanas do que em regiões rurais no Brasil, contrariando a percepção de que a internet via satélite atende principalmente localidades remotas. Levantamento da Ookla, baseado em dados da Anatel e do Speedtest Intelligence, mostra que a empresa alcançou 791 mil acessos em maio de 2026 e se consolidou como a 13.ª maior provedora de banda larga fixa do país.
Dados da Anatel analisados pela Ookla indicam que a Starlink reúne cerca de 348 mil assinaturas em municípios classificados com alto grau de urbanização, acima das 213 mil registradas em áreas de baixa urbanização. Segundo o estudo, a operadora já possui milhares de clientes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília.
Ainda assim, o mercado rural continua sendo o principal motor de expansão da companhia. A participação da Starlink nessas regiões se aproxima de 10% e a empresa registrou crescimento líquido de 8,3% na base de clientes entre maio de 2025 e maio de 2026. Nas áreas urbanas, o avanço foi mais moderado, refletindo a concorrência com as redes de fibra óptica.
O estudo também conclui que a maior oportunidade de crescimento da Starlink continua nas localidades onde a infraestrutura de fibra é limitada. A análise identificou uma relação inversa entre a presença da fibra óptica e a participação da operadora: quanto maior a disponibilidade de redes terrestres, menor a adoção do serviço via satélite.
Outro ponto destacado é que, pelas métricas do Speedtest, a velocidade média de download varia de 149,5 Mbps durante a madrugada para 90,6 Mbps nos horários de maior utilização da rede, evidenciando congestionamento. Apesar disso, a Ookla afirma que esse efeito vem diminuindo desde o fim de 2025, indicando ganhos de capacidade mesmo com o aumento da base de usuários.
O relatório também aponta a portabilidade como um dos diferenciais competitivos da Starlink. No primeiro semestre de 2026, mais de 12% dos usuários realizaram testes de velocidade em mais de duas localidades e quase 5% em três ou mais locais, um comportamento pouco comum entre clientes de provedores tradicionais de banda larga fixa.