Expansão do 4G elevou beneficiários do Bolsa Família em até 4%, diz GSMA
Estudo da entidade foca no Brasil e no México, associando avanço da conectividade ao aumento da renda e de indicadores socioeconômicos dos municípios vulneráveis de ambos países.
A expansão das redes 4G ajudou a reduzir os índices de pobreza e a ampliar a renda em municípios mais vulneráveis do Brasil e do México, segundo estudo divulgado pela GSMA. A análise conclui que os efeitos da conectividade móvel nas localidades historicamente desatendidas, melhorou os indicadores de emprego, consumo e acesso a programas sociais como o Bolsa Família no Brasil.
A pesquisa se concentrou no Brasil e no México, por serem hoje os dois maiores mercados móveis da América Latina, mas reforçou o histórico de pobreza da região, que concentra quase 70 milhões de pessoas vivendo em pobreza extrema, ficando atrás somente da África Subsariana.
A análise utilizou metodologia de diferenças em diferenças (DiD) para comparar localidades que receberam cobertura móvel com municípios ainda sem acesso no mesmo período. Também se baseou em estatísticas oficiais e específicas de cada país.
Segundo a GSMA, o uso de dados geoespaciais detalhados permitiu medir com maior precisão o impacto socioeconômico da conectividade móvel. Os resultados indicam que os efeitos econômicos da expansão do 4G ocorreram de formas distintas nos dois países.
No Brasil, a principal mudança observada foi o aumento da renda da população. O estudo calcula crescimento médio mensal de US$ 6 por pessoa no agregado nacional, chegando a US$ 12 no setor agrícola, US$ 24 na indústria de manufatura e US$ 13 nas áreas rurais.
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Segundo a entidade, os municípios brasileiros de menor renda foram os mais beneficiados pela chegada da conectividade móvel. O relatório associa esse efeito à dinamização de economias locais historicamente afastadas dos grandes centros urbanos e com menor acesso a oportunidades produtivas.
Além do impacto sobre renda, a GSMA identificou aumento no alcance de programas sociais. Entre 2009 e 2016, a expansão do 4G elevou em 2,6% o número de beneficiários do Bolsa Família, percentual que se aproxima de 4% nos municípios mais vulneráveis.
O estudo sugere que a internet móvel ampliou o acesso à informação sobre elegibilidade e inscrição no programa de distribuição de renda, mesmo antes da digitalização das contas dos beneficiários. Segundo o governo, são 18,92 milhões de famílias atendidas no consolidado de 2026, com um piso de R$ 600 (US$ 117); valor que pode variar segundo a composição familiar, podendo chegar ao dobro.
Ainda segundo o estudo, a implementação do 4G reduziu em quase 5% a proporção da população em situação de pobreza nos municípios mais vulneráveis e em 5,3% nas áreas rurais.
No México, os impactos foram menores, mas também significativos: redução de 1,7% nos municípios mais pobres e de 3,5% nas regiões rurais. O principal benefício identificado foi a redução do desemprego. A taxa caiu de 2,9% para 2,3% no agregado nacional após a chegada da conectividade móvel, com impactos mais fortes em municípios rurais e de baixa renda.
O levantamento também aponta aumento do consumo das famílias mexicanas. O gasto mensal por pessoa avançou cerca de US$ 30 em média, chegando a mais de US$ 40 em municípios pobres e rurais. Segundo a análise, houve crescimento proporcional de despesas com alimentação, saúde, moradia e produtos de higiene, indicador interpretado como melhora do padrão de vida da população conectada.
Para a GSMA, os resultados reforçam o papel da banda larga móvel como infraestrutura capaz de acelerar o desenvolvimento socioeconômico em regiões vulneráveis. A entidade afirma que os governos da América Latina terão papel central para ampliar esses efeitos por meio da modernização regulatória e de políticas públicas voltadas à expansão da conectividade e da adoção digital.