Nova gestão do Telebrasil, por Griselli da TIM, buscará igualdade regulatória com OTTs
Brasília, Brasil. Alberto Griselli, CEO da TIM, assume a presidência rotativa do Telebrasil, que representa as maiores operadoras de telecomunicações do Brasil. Em sua fala durante a abertura do Summit anual desta terça-feira (2), o executivo mencionou a importância da conectividade e o crescimento do tráfego de rede que pede “equilíbrio para soluções justas” no ambiente regulatório.
“O tráfego na rede cresce de forma exponencial, mas a captura do valor se desloca significativamente para fora das redes, para as plataformas OTT [over-the-top]. Para reequilibrar esta distorção, é essencial promover uma mesa de negociação entre os atores econômicos, para que eles possam discutir soluções justas”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que antes de se definir o “fair share”, é necessário evitar a vedação “unfair” de qualquer possível negociação, que hoje só favorece as big techs globais em detrimento das redes nacionais. Atualmente no Congresso, correm propostas que impedem a aplicação de qualquer cobrança a essas empresas, organizadas e seguindo em frente por um lobby.
A fala soou transparente e pertinente, numa mesa que fazia parte o deputado Aguinaldo Ribeiro e o senador Eduardo Gomes, que foi relator do Marco de Inteligência Artificial; ambos grandes representantes do ecossistema digital no Congresso.
Christian Gebara (Vivo) que finaliza sua gestão agora assumida por Griseli, destacou que o Brasil está cada vez mais conectado, com 64% dos domicílios já acessando a internet e forte adesão de usuários acima dos 60 anos. Citou investimentos contínuos que somam R$ 35 bilhões ao ano, a expansão do 5G.
Ressaltou ainda a aplicação do Fust, o esforço das operadoras em ações de defesa civil e segurança digital, e defendeu a essencialidade do setor no debate da reforma tributária.
A ministra Esther Dweck (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) colocou a pauta digital dentro de um tripé estratégico de desenvolvimento sustentável, defendendo soberania tecnológica, soluções abertas e a criação de uma infraestrutura nacional de dados baseada em energia renovável.
Já o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, ressaltou que o setor segue atrativo, com mais de 527 mil empregos criados em 2024 e investimentos de R$ 34,6 bilhões em infraestrutura, apontando as Infovias como legado concreto, que será “sentido” durante a COP30, em Belém do Pará.