BadBox 2.0: Brasil é epicentro de rede criminosa internacional que usa TV Boxes piratas

O País responde por mais de 37% das infecções da BadBox 2.0; TV Boxes piratas como InXPlus e TouroBox abastecem rede global de crimes cibernéticos.

A Anatel divulgou nesta terça-feira (12) novos resultados da Operação BadBox 2.0, que identificou a evolução de ameaças cibernéticas associadas a TV Boxes não homologadas no Brasil. Segundo a superintendente de Fiscalização, Gesiléa Teles, testes conduzidos no laboratório antipirataria da agência revelaram que modelos piratas, como InXPlus e Touro Box, vêm sendo usados como parte de uma rede criminosa global para práticas como fraude financeira, roubo de dados e distribuição de outros malwares.

Mesmo em modo stand-by, os aparelhos mantinham comunicação com servidores externos controlados por agentes maliciosos, funcionando como “proxies residenciais” para mascarar a origem de atividades ilegais. O malware identificado se mostra altamente persistente, resistindo a reinicializações e restaurações de fábrica. 

“O Brasil hoje lidera o ranking global de infecções, com mais de 37% dos dispositivos comprometidos, o dobro do segundo colocado, os Estados Unidos”, afirmou a superintendente.

A rede BadBox 2.0 foi alvo ainda de ação judicial movida pelo Google em Nova York em maio, e também de alertas do FBI e centros de cibersegurança de Portugal e Irlanda. No Brasil, dados da plataforma ShadowServer mostram crescimento acelerado em apenas dois meses: de 345 mil endereços IP infectados em junho para 1,8 milhão em agosto de 2025.

Teles destacou que o problema se agrava pela ampla oferta de dispositivos ilegais, vendidos tanto no comércio popular quanto em grandes marketplaces, e pela baixa conscientização do consumidor

Questionada sobre a efetividade das ações, Teles informou que a Anatel já bloqueou mais de 30 mil IPs e URLs usados para controle desses aparelhos e retirou do mercado, desde 2018, mais de 1,5 milhão de unidades não homologadas. Segundo ela, desde 2018 a agência aplica multas a marketplaces – que agora têm sua corresponsabilidade expressa no regulamento – somando mais de R$ 7 milhões em sanções.

A superintendente lembrou ainda que o Supremo Tribunal Federal confirmou a possibilidade de responsabilização das plataformas pela oferta de produtos não homologados, afastando a interpretação restritiva do artigo 19 do Marco Civil da Internet. “Não importa se é uma loja física de bairro ou um marketplace global: a Anatel tem competência para impedir a comercialização”, ressaltou.

Os dois modelos analisados no estudo somariam até 500 mil unidades no país. Um deles, o InXPlus, já chegou a ser o terceiro modelo pirata mais usado, mas caiu em participação após bloqueios específicos da Anatel.

Laboratório antipirataria

Criado em 2023 em parceria com a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), o laboratório da Anatel já monitorou e bloqueou mais de 31 mil endereços associados a atividades ilícitas. Entre as ameaças mapeadas em estudos anteriores estão malwares como Pandora Spear, vulnerabilidades a ataques de negação de serviço e falhas em atualizações que permitiam invasões remotas. 

A partir de 2023, o Ato 9281 passou a exigir autenticação robusta, criptografia e mecanismos seguros de atualização para homologação de Smart TV Boxes.