Unicef e Instituto Claro ampliam ações contra atraso escolar no Brasil até 2029

O Unicef e o Instituto Claro renovaram a cooperação iniciada em 2018 para ampliar ações de enfrentamento à distorção idade-série e ao risco de fracasso escolar nas redes públicas brasileiras. O novo acordo abrange o período de 2026 a 2029 e prevê a continuidade da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE) em estados e municípios.

Desenvolvida pelo Unicef com apoio técnico da Roda Educativa, fornece diagnóstico sobre a distorção idade-série e orientações para formulação de políticas públicas que ampliem permanência e aprendizagem, amenizando um problema que segue sendo um dos principais desafios da educação básica no Brasil. 

Segundo dados do Censo Escolar analisados pelo Unicef, 4,2 milhões de estudantes (12,5%) acumulam dois ou mais anos de atraso escolar. A defasagem é maior entre estudantes negros (15,2%, quase o dobro da taxa entre brancos, de 8,1%) e também entre meninos (14,6%, ante 10,3% entre meninas).

A nova fase da parceria estabelece a meta de reduzir em 27% a taxa de distorção idade-série nas escolas participantes da TSE ao longo dos quatro anos. Para isso, está prevista a atuação em ao menos sete estados, com formação de 4,5 mil gestores e professores e atendimento direto a 40 mil estudantes envolvidos em programas de recomposição de aprendizagem. 

No âmbito municipal, por meio do Selo Unicef, a iniciativa quer alcançar cerca de 1.300 municípios, treinando 90 mil profissionais da educação e envolvendo aproximadamente 3,15 milhões de participantes em atividades voltadas ao desenvolvimento de competências e mitigação do atraso escolar.

O trabalho anterior, realizado entre 2022 e 2025, já havia alcançado sete estados (AC, AP, DF, ES, RN, RJ e SE), 217 municípios e mais de 35 mil estudantes matriculados em programas da TSE. No ciclo do Selo Unicef, 1.295 municípios desenvolveram ações associadas, envolvendo 85 mil gestores e professores e mais de 3 milhões de participantes. Em alguns estados, as iniciativas resultaram na publicação de normas que institucionalizaram programas relacionados à estratégia TSE.