TV 3.0 terá primeiro teste fim-a-fim em agosto

Evento em Brasília apresentou etapas de testes e possibilidades da próxima geração da TV, a qual deverá ser disponibilizada em 2025.

Personalização, imersão, acessibilidade, interação e melhor capacidade de som e imagem serão as vantagens trazidas pela TV 3.0, mais conectada à internet e que transformará os canais de televisão aberta em aplicativos. 

Ainda em fase de estudos, a meta estabelecida por meio do decreto presidencial estabelecido em abril do ano passado, é ter as definições tecnológicas que viabilizem a nova geração da TV até dezembro de 2024. Na atual fase, o Grupo de Trabalho realiza os testes da parte de transmissão.

“Verdadeiramente, a parte em que ainda são necessárias definições é a física, ou seja, como o sinal sairá da antena e chegará ao consumidor”, ressaltou Raymundo Barros, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBDTV). A expectativa é concluir essa etapa até junho com a entrega completa das normas.

Para tanto, existem duas tecnologias propostas: a evolução do sistema japonês (WSB-TV) e o ATSC 3.0, que foi lançado nos EUA e na Coreia do Sul. O cronograma estabelece uma primeira demonstração fim a fim com uma das tecnologias até agosto deste ano. A TV 3.0 com sua idealização final deve chegar aos lares brasileiros já em princípios de 2025.

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Crédito: captura de tela

Os estudos são conduzidos pelo Fórum SBDTV, representado pela indústria de receptores, de transmissão e de software; 30 universidades, a Anatel e o Ministério das Comunicações (MCom), que já tem alguns parâmetros definidos como o desenvolvimento de um protocolo que permite a integração da TV aberta com o sistema de gerenciamento de alertas de emergência.

No mais, as etapas normativas referentes à compressão de vídeo e áudio com entrega de qualidade, bem como a acessibilidade integrada (linguagem de sinais, recursos para deficientes visuais, etc), já estão em estágio avançado de conclusão.

Os desafios envolvem acesso ao espectro, pois, com o leilão da faixa 700 MHz houve uma redução significativa de canais, o que provavelmente exigirá uma faixa de espectro adicional, o que já está nas mãos da Anatel.

TV 3.0 a internet

A TV 3.0 tem como premissa estar mais conectada com a entrega de todas as suas possibilidades por meio da internet mas, segundo Juscelino Filho, ministro das Comunicações, ela não é uma habilitadora, nem uma necessidade para aproveitar a nova geração da televisão aberta. 

A integração com a internet é um instrumento a mais nessa tecnologia, quem está conectado com banda larga em sua smart tv poderá aproveitar todas as possibilidades interativas, mas tendo um conversor, será possível aproveitar as vantagens de som e imagem”, explicou.

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Como será de fato a TV 3.0

Com maior integração ao ambiente digital, a TV 3.0 funcionará por “consumo logado”, ou seja, os usuários poderão criar perfis na TV aberta com login e senha, como os que já existem nas plataformas de streaming, e os canais já não serão mais por números e sim como aplicativos ou um acervo disponível de filmes e séries. 

Não será uma obrigatoriedade a criação de um perfil, mas isso é que permitirá a personalização da oferta de programação e visualização de publicidade que poderão ser segmentadas por localidade.

Além disso, funcionará como um ecossistema. “O entendimento é de que radiodifusão, fabricantes de smartphones e operadoras terão que encontrar um modelo que faça sentido para que todo celular do Brasil tenha acesso a uma radiodifusão terrestre gratuita”, explicou Raymundo Barros.

“A oferta de conteúdo direta ao celular é uma etapa técnica possível, mas a construção de um ecossistema que inclua a tv aberta, ainda é um tópico a ser trabalhado”, reforçou. Para o ministro Juscelino, não é uma simples virada de chave, todo o processo de implementação ocorrerá a longo prazo para que não haja perda do sinal da tecnologia anterior.

“Vai carecer de muito investimento do setor, buscando construir mecanismos, dialogando com os bancos públicos para conseguir os financiamentos, para fazer com que a TV chegue o mais rápido possível para a maior quantidade de brasileiros”, concluiu.

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