Trabalhadores cobram pagamento imediato em crise entre Oi, Serede e V.tal
As principais federações sindicais do setor de telecomunicações voltaram a pressionar por uma solução urgente para a crise envolvendo a Oi, sua subsidiária Serede e a V.tal. Em nota pública, Fenattel, Fitratelp e FittLivre, que representam 28 sindicatos (cerca de 1,5 milhão de trabalhadores), cobram uma ação coordenada entre Governo Federal, Anatel, Judiciário e as empresas para garantir o pagamento imediato de verbas rescisórias e indenizações a funcionários afetados pelo impasse judicial entre as companhias.
Segundo as entidades, trabalhadores vivem um cenário de angústia e instabilidade, diante do risco de demissões e da incerteza quanto ao recebimento dos valores devidos. A substituição da Serede por contratos considerados precarizados teria provocado desemprego e impossibilitado a realocação de parte das equipes. Também há relatos de redução de atividades na Oi Soluções, o que reforça a expectativa de novos cortes.
Os sindicatos afirmam que os empregados se tornaram “vítimas da disputa” entre Oi e V.tal sobre responsabilidades financeiras e citam posicionamentos do conselheiro da Anatel Alexandre Freire em defesa da busca por soluções consensuais para conflitos complexos, princípio que, segundo a nota, deveria ser aplicado à situação dos trabalhadores.
As federações pedem ainda que prevaleçam decisões judiciais já proferidas determinando a liberação de recursos e o pagamento aos empregados, consideradas paralisadas por sucessivas contestações e recursos.
Na avaliação das entidades, o impasse tem efeitos negativos para todo o setor, como queda no valor das ações da Oi, perda de clientes corporativos da Oi Soluções e entraves à expansão da V.tal. Há também preocupação com impactos sobre serviços essenciais que dependem das redes da Oi, como os ligados à segurança pública, Justiça, saúde, transporte e educação.
A nota destaca a necessidade de manter a operação da Oi Soluções, apontada como o principal ativo em funcionamento da companhia, e lembra que parte da infraestrutura herdada da antiga Telebrás envolve bens reversíveis financiados com recursos públicos, que não poderiam ser negligenciados.
Entre as reivindicações, os sindicatos listam três medidas urgentes: pagamento imediato das indenizações e verbas rescisórias, quitação de valores atrasados devidos por Oi e Serede e emissão de avisos prévios para encerrar o que classificam como “ciclo doloroso” enfrentado pelos trabalhadores. As entidades concluem pedindo o fim das incertezas e a regularização de todos os passivos trabalhistas.