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	<title>Boletim Geopolítico Digital &#8211; DPL News</title>
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		<title>Impasse nos fósseis, avanço no digital: o balanço final da COP 30</title>
		<link>https://dplnews.com/impasse-nos-fosseis-avanco-no-digital-o-balanco-final-da-cop-30/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[⁨Mayara Figueiredo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 15:12:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[Acordo de Paris]]></category>
		<category><![CDATA[Boletim Geopolítico Digital]]></category>
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		<category><![CDATA[relevante Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1300" src="https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="bolet 24nov25" decoding="async" fetchpriority="high" srcset="https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25.jpg 1920w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-300x203.jpg 300w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-1024x693.jpg 1024w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-768x520.jpg 768w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-1536x1040.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" title="Impasse nos fósseis, avanço no digital: o balanço final da COP 30 1"></div>Leer en españolOs 11 dias da COP 30 terminou no último dia 21 de novembro com sinais mistos: avanços institucionais importantes, frustrações na agenda dos combustíveis fósseis e uma consolidação mais evidente de ferramentas digitais como parte da implementação climática.  O encontro de Belém (PA) ocorreu em um cenário geopolítico marcado pela ausência dos Estados [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="margin-bottom:20px;"><img width="1920" height="1300" src="https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25.jpg" class="attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image" alt="bolet 24nov25" decoding="async" srcset="https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25.jpg 1920w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-300x203.jpg 300w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-1024x693.jpg 1024w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-768x520.jpg 768w, https://dplnews.com/wp-content/uploads/2025/11/bolet-24nov25-1536x1040.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1920px) 100vw, 1920px" title="Impasse nos fósseis, avanço no digital: o balanço final da COP 30 2"></div>
<p><strong><a href="https://dplnews.com/estancamiento-fosiles-avance-digital-balance-cop30/"><em>Leer en español</em></a></strong><br>Os 11 dias da COP 30 terminou no último dia 21 de novembro com sinais mistos: avanços institucionais importantes, frustrações na agenda dos combustíveis fósseis e uma consolidação mais evidente de <strong>ferramentas digitais como parte da implementação climática</strong>. </p>



<p>O <a href="https://dplnews.com/cop30-inaugura-la-era-de-la-diplomacia-digital-verde/">encontro </a><a href="https://dplnews.com/cop30-inaugura-la-era-de-la-diplomacia-digital-verde/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">d</a><a href="https://dplnews.com/cop30-inaugura-la-era-de-la-diplomacia-digital-verde/">e Belém (PA)</a> ocorreu em um cenário geopolítico marcado pela <strong>ausência dos Estados Unidos</strong> e por disputas comerciais que afetam diretamente tecnologias de descarbonização. Ainda assim, conseguiu produzir instrumentos que reforçam capacidades de ação, especialmente para países do Sul Global.</p>



<p>Em comparação às conferências anteriores, o tema digital apareceu com mais nitidez nessa COP como um habilitador: tudo dentro do esforço de <a href="https://climateaction.unfccc.int/CopsAndSummits/COP30" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">padronizar dados, melhorar previsões</a>, integrar sistemas de alerta e aumentar a transparência. Nesse mesmo eixo, foi formalizado o <strong>Green Digital Action Hub (GDA Hub)</strong>, iniciativa coordenada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e parceiros multilaterais para apoiar países a medir a pegada climática do setor digital, padronizar metodologias de reporte e acelerar a adoção de tecnologias verdes.</p>



<p>É nesse contexto técnico-operacional que se insere a proposta brasileira da <strong>Infraestrutura Digital Pública para o Clima (Climate DPI)</strong>. Encabeçada pelo ITS Rio e sustentada pela plataforma <a href="https://transitiondigital.org/" rel="nofollow noopener" target="_blank">TransitionDigital</a>, ela articula um <em>ClimateStack</em> modular com camadas de identificação digital, registros transacionais, observação da Terra, dados padronizados, interoperabilidade via APIs e acesso simplificado para populações vulneráveis, conforme descrito no relatório oficial da <a href="https://unfccc.int/sites/default/files/resource/COP30%20Action%20Agenda_Final%20Report.docx.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Agenda de Ação da COP30</a>. </p>



<p>A iniciativa está alinhada à diretriz da Organização das Nações Unidas (ONU) que coloca a <strong>inteligência artificial</strong> como um dos eixos estruturantes da implementação climática. Segundo a própria proposta brasileira, o sistema poderia <strong>reduzir em</strong> <strong>até 40%</strong> o tempo de resposta a eventos extremos até 2035, ao integrar alertas precoces, inventários de emissões, previsão climática e fluxos financeiros de forma auditável.</p>



<p>Esses movimentos reforçam o papel do setor de telecomunicações como parte da infraestrutura necessária à adaptação climática. Redes resilientes, conectividade, satélites e sensores tornam-se componentes da capacidade estatal.&nbsp;</p>



<p>É nessa lógica que se insere a adesão de empresas do setor como a Telefônica, ao <strong>Guía para la Planificación de la Transición Climática para empresas de telecomunicaciones</strong>, publicada pela <strong>GSMA</strong> em parceria com <strong>ITU</strong> e <strong>Carbon Trust</strong>. O guia estabelece requisitos auditáveis: governança, integração da transição climática ao planejamento financeiro, rotas de implementação, métricas e alinhamento com padrões como CSRD, CDP, Science Based Targets e NIIF S2.&nbsp;</p>



<p>Em comunicado, a Telefônica se compromete a adaptar seu plano climático aos parâmetros da GSMA, reforçando sua atuação como operadora de infraestrutura crítica para métricas, certificação e sistemas de alerta.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Quando a maior potência falta</h3>



<p>A geopolítica da conferência foi moldada principalmente pela <strong>ausência dos Estados Unidos</strong>. Com Donald Trump novamente fora do Acordo de Paris e com tarifas sobre tecnologias limpas voltando ao centro da política americana, a COP 30 operou sem o habitual contrapeso diplomático que este país costuma exercer.&nbsp;</p>



<p>Isso teve dois efeitos: abriu espaço para <strong>Europa, Brasil, China </strong>e <strong>países do Sul Global </strong>impulsionarem soluções que priorizam padrões abertos e acesso a tecnologia; e confirmou o alerta feito meses antes por <strong>Ana Toni</strong>, secretária brasileira de clima, ao <em>Financial Times</em> que o mundo se aproxima de uma guerra comercial climática, capaz de restringir o acesso a tecnologias verdes essenciais: baterias de nova geração, sensores climáticos, satélites de mensuração, relato e verificação (MRV), semicondutores, plataformas de IA para previsão, componentes de energia limpa. Se tarifas, embargos ou rivalidades entre grandes blocos endurecerem, a transição perde velocidade.</p>



<p>A <strong>China</strong> contou com a segunda maior delegação da COP 30 depois do Brasil. O país asiático atuou de forma pragmática em financiamento e adaptação, mas sem se envolver diretamente na agenda digital proposta pelo Brasil. Já <strong>Rússia</strong> e<strong> Arábia Saudita</strong> lideraram a resistência ao roadmap obrigatório dos fósseis, reforçando o bloco produtor e limitando a ambição coletiva.</p>



<p>O Brasil esperava maior coordenação com o BRICS para avançar padrões abertos e cooperação tecnológica, mas o grupo se mostrou menos coeso do que o previsto, sobretudo nos temas energéticos.</p>



<p>Na América Latina, a COP 30 revelou um movimento mais articulado para ganhar capacidade técnica. <strong>Colômbia </strong>e<strong> República Dominicana</strong> aderiram ao novo <strong>Hub de Plataformas de Países</strong>, e outros governos demonstraram interesse em integrar sistemas nacionais de transparência e monitoramento. Para a região, a digitalização climática funciona menos como ruptura e mais como oportunidade de reduzir assimetrias, especialmente na certificação de projetos, acesso a financiamento e construção de métricas comparáveis.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Acordo de Paris</h3>



<p>O tema dos combustíveis fósseis foi o mais politicamente sensível da conferência. Apesar da pressão de mais de 80 países por um <em>roadmap</em> global de eliminação de petróleo, carvão e gás, o texto final não incluiu metas obrigatórias: reflexo do bloqueio de grandes produtores como Arábia Saudita e Rússia e da falta de engajamento dos EUA.</p>



<p>Em discurso, o presidente <strong>Luiz Inácio Lula da Silva</strong> reconheceu que o Brasil, apesar de sua matriz energética e capacidade verde, é produtor e exportador de petróleo, mas reiterou que está disposto a fazer a transição e transformar a Petrobras em uma empresa de energia limpa. Lula defendeu uma transição “justa, planejada e financiada” e insistiu que responsabilidade histórica e acesso a financiamento devem guiar o ritmo de cada país.</p>



<p>A ministra do Meio Ambiente, <strong>Marina Silva,</strong> reconheceu que não houve consenso para um plano obrigatório, mas anunciou que o Brasil trabalhará em uma estratégia voluntária de transição e em indicadores globais de adaptação, capazes de medir resiliência climática de forma comparável. No conjunto, o balanço sobre fósseis mostrou avanços retóricos, mas não mudança estrutural: a ambição permanece travada, enquanto a implementação avança por meios indiretos — especialmente via dados, métricas e governança.</p>



<p>Foi nesse ponto que o Brasil também apresentou o <strong>DataClima+</strong>, novo Sistema Nacional de Transparência Climática, descrito oficialmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A plataforma centralizará inventários de emissões, monitoramento da NDC (Nationally Determined Contribution), dados de adaptação, políticas públicas e informações sobre financiamento climático.&nbsp;</p>



<p>O sistema atende às regras da <strong>Estrutura de Transparência Aprimorada do Acordo de Paris</strong>, que exige relatórios bienais a partir de 2024, e integra bases como Sirene, AdaptaBrasil e Sinapse. O DataClima+ representa um avanço estratégico: sem dados consistentes, não há como demonstrar cumprimento do Acordo de Paris nem negociar financiamento em escala.</p>



<p>As chamadas “tecnologias verdes”&nbsp; (hidrogênio, bioenergia, gestão hídrica, captura e armazenamento de carbono) foram tratadas de forma integrada, com ênfase em certificação, rastreabilidade e padronização.&nbsp;</p>



<p>Tudo isso consolidou o digital na COP 30 como componente funcional: sem dados verificáveis, metodologias auditáveis e sistemas interoperáveis, esses setores perdem valor econômico e credibilidade. O futuro climático, agora mais urgente do que nunca, dependerá mais da capacidade de implementar: algo que passa por financiamento, tecnologia, cadeia industrial e governança. Resumindo, pura infraestrutura digital.&nbsp;</p>
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