O mercado brasileiro de telecomunicações manteve-se estável no terceiro trimestre de 2025, segundo o novo Relatório de Monitoramento da Competição divulgado pela Anatel. Os dados indicam que a estrutura competitiva do setor segue praticamente inalterada, com alta concentração na telefonia móvel, leve retração na banda larga fixa e avanço contínuo das plataformas digitais no consumo de conteúdo e serviços de voz.
Na telefonia móvel, houve crescimento de 0,9% no trimestre e de 2% em doze meses, alcançando 268,6 milhões de acessos. Claro, Vivo e TIM continuam concentrando quase 95% do mercado, sem alteração significativa de participação entre as três.
O indicador de concentração usado pela Anatel, o Índice Herfindahl-Hirschman (HHI), que mede o grau de concentração de mercado, permaneceu em patamar elevado, mas dentro da meta estratégica da agência, o que confirma a estabilidade de um setor altamente concentrado e com participação reduzida das operadoras virtuais (MVNOs) e de prestadoras de pequeno porte, que somam apenas 5,2% do market share do segmento móvel.
A banda larga fixa registrou a primeira queda em 12 meses, com retração de 1,2% no trimestre e perda de 673 mil acessos, totalizando 53,3 milhões. A Anatel observa também redução no número de prestadoras que reportaram dados: 8.486 contra 9.319 no trimestre anterior, apontando possível subnotificação.
Mesmo assim, o índice de concentração (HHI) do serviço permanece baixo, em 0,07, mantendo a banda larga fixa como o mercado mais competitivo entre os analisados. As PPPs ainda respondem por 64% dos acessos, mas vêm perdendo espaço gradualmente para grandes operadoras. Claro e Vivo ampliaram participação, enquanto a Oi, em situação de pré-falência, continua em retração.
O relatório também confirma a consolidação da substituição dos serviços tradicionais de voz e TV paga por plataformas digitais. Estima-se que os aplicativos OTT, como WhatsApp e Telegram, já respondam por 55% do mercado de voz, enquanto o streaming representa 89,8% do mercado de oferta híbrida de conteúdo. Os serviços de TV por assinatura caíram 8,8% no trimestre, com redução de 774 mil assinaturas, mantendo a tendência de declínio estrutural.
Em síntese, os indicadores da Anatel revelam um setor em maturidade: a competição permanece estável, mas com sinais de consolidação em segmentos fixos e de predominância crescente das plataformas digitais no consumo de serviços de comunicação.