Brasileira Renata Brazil‑David assume cargo de diretora‑geral da ITSO

A brasileira Renata Brazil‑David tomou posse na última semana (18 de julho), da diretora‑geral da International Telecommunications Satellite Organization (ITSO), em Washington, D.C. e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo na organização.

Ela cumprirá um mandato de quatro anos, até julho de 2029. A nomeação foi resultado da eleição realizada em 9 de outubro de 2024, durante a 41ª Assembly of Parties da ITSO, em Washington, quando obteve 80 votos favoráveis, contra 10. A campanha de Brazil-David foi uma colaboração estratégica entre a Anatel, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e a ARCTEL, com o apoio ativo de seus membros. Essa aliança reflete o crescente protagonismo do Brasil em organismos internacionais.

Brazil‑David comemorou o caráter histórico de sua nomeação. Em seu discurso de aceitação, ela afirmou que o episódio representa “um marco institucional e pessoal rumo a um futuro mais inclusivo e equitativo”, servindo de inspiração para outras mulheres na indústria de telecomunicações.

Ela destacou ainda que a ITSO está em um momento crucial, marcado por “desafíos recientes” e a necessidade de redefinir sua relação com a operadora sob supervisão da entidade (No caso, a Intelsat), que teve seu controle transferido à SES com o fechamento da aquisição em 17 de julho de 2025. 

A executiva expressou ainda a urgência de reforçar essa parceria para proteger o “Patrimonio Común” dos Estados‑membros, referente aos ativos orbitais e espectrais originalmente alocados ao consórcio Intelsat.

Renata Brazil‑David acumula extensa experiência na área de satélites e telecomunicações. Antes de assumir o cargo principal, atuou como Diretora de Assuntos Jurídicos e Regulatório, além de vice‑diretora‑geral da ITSO. Foi também diretora de política regulatória na Inmarsat (atual ViaSat) e lecionou na American University. É doutora em Direito Internacional (S.J.D.) pela mesma instituição.

A ITSO, por sua vez, é uma organização intergovernamental que reúne 149 países com o objetivo de garantir o acesso global, ininterrupto e não discriminatório aos serviços públicos de telecomunicações por satélite, supervisionando o cumprimento dos compromissos da Intelsat, que se privatizou em 2001, mantendo-se sob regulação pública.