Questões regulatórias, fiscais e de infraestrutura desafiam conectividade latino-americana
São Paulo. No painel Latam Connectivity da Futurecom 2025, especialistas destacaram que, embora a América Latina tenha feito avanços expressivos na digitalização, persistem gargalos que ameaçam sustentar o crescimento da conectividade na região. Até há progresso em acessos, porém, regimes tributários pesados, limites de energia e infraestrutura deficiente se apresentam como os principais desafios.
Segundo estimativas da UIT, cerca de 87% da população latino-americana já usa internet (acima da média global) mas há um “usage gap” relevante: muitas pessoas vivem em áreas com cobertura mas estão fora do mundo digital por barreiras como custo, letramento ou interesse.
Nesse cenário, Maryleana Méndez (ASIET) afirmou que “continuamos tributando a conectividade como se fosse artigo de luxo”. Méndez destacou que a região é muito forte em acumular problemas não resolvidos e que isso compromete a sustentabilidade financeira da indústria.
Ela citou entraves persistentes como a demora em trâmites municipais para instalação de infraestrutura e os altos custos do espectro, tanto na compra quanto na renovação de licenças em alguns países. “Hoje já falamos de inteligência artificial, de IoT massivo, de 5G, mas seguimos sem resolver questões básicas que arrastamos há anos. Isso mina a capacidade de investimento contínuo das operadoras”, afirmou, citando o exemplo positivo do Leilão 5G do Brasil que exportou um modelo para a região ao focar mais em compromissos do que na arrecadação.
Tiago Silveira, sócio da McKinsey, trouxe números concretos: o mercado de data centers na região cresce cerca de 12-16% ao ano segundo projeções recentes, dependendo do segmento, e tecnologias como fixed wireless access (FWA) aparecem como uma solução para levar banda larga a áreas rurais ou com difícil acesso.
Álvaro Brito, vice-presidente de desenvolvimento estratégico da Ufinet, reforçou que o backbone regional ainda é fraco, o que gera latências, altos custos de interconexão e dificulta operações entre fronteiras.
Alex Jucius, co-fundador do Giga+Fibra criticou a proliferação de provedores informais e com licenciamento inconsistente, dizendo que isso ameaça a estabilidade do mercado. Tocando o provedor na Colômbia, ele disse que a escolha por atuar no país veio das semelhanças com o mercado brasileiro. Lá já instalaram infraestrutura.
Por fim, Rodrigo Robles, oficial de programas da UIT (União Internacional de Telecomunicações), apontou que muitos países latino-americanos operam com marcos legais da era pré-digital, desenhados para telefonia fixa. Ele elogiou experiências recentes de sandboxes regulatórios (no Brasil, Peru) como instrumentos para acelerar regulação adaptada a novas tecnologias, minimizar incerteza e estimular inovação.