Pimco reduz participação na Oi

Fundo vende blocos e diz não ter intenção de alterar controle, enquanto é alvo de decisão da Justiça que aponta indícios de má-fé e abuso de poder na gestão da Oi.

A gestora americana Pimco comunicou à Oi a venda de um lote de ações ordinárias, movimento que reduziu sua participação para 29,97% do capital votante. A transação acontece em um momento sensível para o fundo, que enfrenta uma decisão do juiz Igor Fonseca Rodrigues, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região do Rio de Janeiro (TRT-1), apontando indícios de má-fé e abuso de poder na gestão da companhia, além do arresto de créditos ligados à gestora.

De acordo com o comunicado da Oi e informações da imprensa setorial, o volume alienado corresponde a 15,28 milhões de ações ordinárias, número compatível com a variação percentual divulgada. O comprador não foi informado, e a operação não detalhou condições adicionais.

Na mesma notificação, a Pimco afirmou que a venda não tem relação com alteração de controle e que não mantém derivativos, acordos de voto ou outros instrumentos ligados aos papéis da Oi. Segundo o fundo, trata-se apenas de ajuste de posição acionária.

Empresas interessadas, como a V.tal, e outros credores também vêm questionando judicialmente práticas atribuídas à atual governança da Oi e pedindo responsabilização de administradores vinculados ao fundo.

O pano de fundo dessa disputa remonta à conversão de créditos em ações realizada entre 2024 e 2025, que levou fundos como Pimco, SC Lowy e Ashmore a se tornarem acionistas relevantes da companhia. 

Desde então, tensões entre diferentes grupos de credores e conflitos sobre estratégia e gestão alimentam uma sucessão de ações e medidas judiciais que criaram um ambiente sensível em torno de qualquer mudança patrimonial de controladores.