Como a jornada de ampla cobertura do 5G ainda é longa no Brasil, adiou-se a implementação do Open RAN, mas não só por isso. Segundo Weskley Fernandes, pesquisador e desenvolvedor de tecnologia no CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), como o 6G será mais orientado à nuvem e redes abertas, esta tecnologia móvel torna a implementação do Open RAN mais propícia.
“Apesar de Open RAN já vir sendo utilizado pelo menos desde 2017, como toda tecnologia nova, ele precisa de uma certa maturidade até atingir seu auge, e como estamos já muito ‘em cima’ no 5G, ele não teve o seu boom”, explicou à DPL News, após painel sobre o tema na Futurecom 2024.
Weskley acrescentou que atualmente, fora do Brasil, já existem operadoras engajadas nesta tecnologia, como a AT&T. “O Open RAN vem justamente para democratizar a abertura da rede proposta pelo 6G, vai trazer mais vendas, mais competitividade, o que aumenta a inovação e a qualidade dos serviços”, acrescentou.
Além disso, o fato de o Open RAN se concentrar em tecnologia baseada em nuvem, onde tudo é gerenciado por software, os servidores utilizados são comuns; os chamados COTS (Comércio Off-The-Shelf), nos quais é possível instalar o software Open RAN para gerenciar a rede.
Leia também: Anatel e UnB revelam oportunidades do Open RAN nas telecomunicações
Projeto Open RAN Brasil
Desenvolvido pelo CPQD, o projeto Open RAN Brasil, é dividido em fases, estando atualmente na fase 3. Na fase 1, foram construídos testbeds no Rio de Janeiro e em Campinas – SP, que já estão disponíveis para universidades e startups utilizarem.
Na fase 2, houve a construção da própria Radio Unit que está em andamento, focada no Open RAN, cujos testes estão sendo realizados em colaboração com o Inatel e outras instituições.

Nesta fase, entre uma cidade e outra, um raio de 400 km, conseguiu-se um bom desempenho de Gbps “claro que houve problemas com a latência, mas esse alcance é incrível”, ressaltou. Já a atual fase 3, visa expandir a implementação dos testbeds para outras regiões do Brasil.
Brasil dentro do 6G
O professor Luciano Mendes, do Inatel, afirmou que diferente das tecnologias anteriores, as quais o Brasil foi apenas um exportador e adaptador das aplicações feitas na Europa, no 6G o país assume parte do protagonismo.
“Com o 6G estamos atuando mais efetivamente com entidades de pesquisas e influenciando os parâmetros que a rede deve atender para que chegue no Brasil em 2030 de forma a atender adequadamente os usuários de rede”, afirmou.
Rodrigo Robles, da UIT (União Internacional de Telecomunicações) complementou o debate sobre as frequências que já estão sendo estudadas pela organização, e afirmou que a próxima conferência de 2027 já deve aprovar e direcionar o uso de bandas de 95 GHz, propícia para a velocidade requisitada pelo 6G.