Norte Conectado avança na Amazônia com foco em inclusão e preservação, diz CEO da EAF

O equilíbrio entre em infraestrutura e o uso efetivo da tecnologia para transformar a realidade digital na Região Norte foi o tema da participação de Gina Marques, CEO da EAF (Entidade Administradora da Faixa), no Abrint Global Congress (AGC) 2026, o maior evento de provedores de internet do mundo.

No painel “Entre Custo e Inclusão: O Novo Mapa da Conectividade na Amazônia”, nesta quinta-feira (7), a executiva detalhou o status das infovias e reforçou o compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento local.  

Ao lado de especialistas e representantes de agências reguladoras, Gina apresentou os avanços do Norte Conectado, iniciativa do Ministério das Comunicações (MCom) em parceria com a Anatel, por meio do Gaispi, grupo que acompanha os projetos vinculados ao edital do 5G. A execução é de responsabilidade da EAF, que já concluiu as Infovias 02, 03 e 04.  

“Os cronogramas vinham sendo cumpridos e agora as Infovias 03 e 04 já vão passar a ter uso efetivo. Pretendemos entregar a Infovia 02 até junho”, disse Gina Marques. As Infovias 03 (Belém/PA – Macapá/AP) e 04 (Vila de Moura/AM – Boa Vista/RR) foram entregues ao MCom em 26 de abril. A Infovia 02 vai de Tefé a Atalaia do Norte (AM). 

A CEO informou, ainda que a Infovia 05 (Autazes/AM – Porto Velho/RO) encontra-se em fase de licenciamento. Já as Infovias 06 (Manacapuru/AM – Rio Branco/AC) e 08 (Fonte Boa/AM – Cruzeiro do Sul/AC) estão em etapa de estudo. 
 

O Norte Conectado prevê a instalação de 13 mil km de cabos de fibra óptica no leito dos rios amazônicos, levando internet de alta capacidade a cerca de 10 milhões de moradores. A executiva destacou que o projeto ultrapassa a barreira da engenharia para se tornar um pilar de cidadania digital.  

Complexidade e sustentabilidade 

O projeto vai conectar seis estados do Norte (AC, AP, AM, PA, RO e RR), reunindo mais de 70 cidades. Para abranger esse contingente em plena Bacia Amazônica, a estratégia foi investir em inovação técnica. “Para as longas distâncias, as soluções de leito envolvem aterramento e sensores. Na parte energética, já trabalhamos com energia renovável nos CMADs (pequenos data centers que levam a fibra para as cidades) e pretendemos ampliar esse uso”, explicou a executiva.
 

Um dos pontos de destaque no evento foi o caráter sustentável da operação. Ao aproveitar o leito dos rios, o projeto evita a abertura de estradas ou clareiras, preservando a floresta nativa. “Temos muito orgulho de realizar um projeto dessa magnitude sem derrubar uma só árvore. Ele é um grande projeto ESG”, afirmou Gina.