Mudar o destino da faixa de 6 GHz no Brasil afetaria toda a América Latina


O destino da faixa de 6 GHz pode voltar a ser discutida no Brasil pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 2020, a Anatel decidiu que os 1.200 MHz da banda intermediária seriam reservados para o uso não licenciado (Wi-Fi 6), em detrimento do uso licenciado (5G). Porém, durante o Mobile World Congress 2022, funcionários da Agência teriam afirmado à imprensa que existe a possibilidade de rever essa decisão.

Em nota, a Anatel não confirma a declaração. Mas, dependendo de como o ecossistema dos serviços se desenvolverem e da decisão tomada na Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023, é esperado que a Anatel revise o destino da faixa de 6 GHz.

Para Lucas Gallitto, diretor da GSMA para a América Latina, uma possível mudança de postura do Brasil afetaria toda a região, porque chamaria a atenção dos reguladores que ainda não resolveram a discussão sobre o 6 GHz.

À DPL News, Gallitto disse que a recomendação da associação é uma abordagem equilibrada: garantir 500 MHz (de 5.925 a 6.425 MHz) para Wi-Fi, se necessário; e manter 700 MHz (de 6.425 a 7.125 MHz) reservados para 5G no futuro.

Ele recordou o estudo da GSMA, o qual mostra que serão necessários 2 GHz adicionais nas faixas médias para atender aos requisitos de velocidade do 5G em 2030.

“Se estiverem disponíveis [para serviços móveis] no momento adequado, as bandas intermediárias podem gerar um crescimento de US$ 18 bilhões somente no Brasil. Além da perda de receita, menos espectro pode exigir até 6 vezes mais estações base, afetando o potencial do 5G de reduzir a pegada de carbono das redes móveis e gerando um impacto negativo no meio ambiente”, informou.

Ele ainda destacou que a qualidade do serviço de Wi-Fi não depende da quantidade de espectro disponível, mas da capilaridade da infraestrutura fixa, como a fibra. E lembrou que a banda larga fixa tem custos maiores, o que faz com que lugares com maior renda per capita tenham maior quantidade de acessos fixos. “Os serviços móveis IMT cumprem um papel social fundamental. São os que conectam os usuários na base da pirâmide devido à sua cobertura e acessibilidade”, afirmou.

“A eventual revisão do destino da faixa de 6 GHz no Brasil confirma que essas decisões devem ser tomadas sem pressa e com base em estudos e evidências que se ajustem à realidade de cada país”, concluiu Gallitto.

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O presidente da Teleco, Eduardo Tude, diz que a Anatel se antecipou à União Internacional de Telecomunicações (UIT) ao determinar que toda a sua faixa de 6 GHz fosse destinada ao Wi-Fi, já que o ecossistema de nenhum dos serviços estava maduro na época da decisão.

Ele acredita que a Agência não deve fazer nenhuma alteração antes da conferência da UIT, para não correr o risco de fazer mudanças e depois, dependendo da posição da UIT, ser pressionada para mudar outra vez.Em relação ao ecossistema do serviço fixo, a Anatel informou que, até 4 de fevereiro, o Brasil tinha 17 equipamentos Wi-Fi6 E certificados, “incluindo produtos de baixa potência para uso interno e produtos de potência muito baixa, conhecidos como LPI (low-power indoor) e VLP (Very low-power), respectivamente”.