Insegurança no uso de espectro freia investimentos em redes privativas, dizem especialistas
Operadoras e acadêmicos destacam entraves regulatórios e econômicos, mas também falam em casos de uso no agronegócio e indústria, ressaltando o potencial da tecnologia.
Rio de Janeiro, Brasil. As redes privativas 5G ainda enfrentam obstáculos para decolar no Brasil. Durante o Telco Transformation Latam 2025, representantes de operadoras, indústria e academia destacaram que a ausência de proteção para o uso secundário do espectro é um dos principais fatores que afastam investimentos.
“Se alguém investir numa rede privativa em 700 MHz, pagando todas as taxas, esse usuário secundário pode ser obrigado a sair do ar se o primário pedir a faixa. Não existe proteção do investimento”, afirmou Alexandre Dal Forno, diretor de IoT e 5G da TIM Brasil.
Outro desafio está no preço dos dispositivos. “Muitas vezes é mais interessante começar com uma rede 4G, mostrar resultado, porque todos nós precisamos entregar qualidade. O 4G é mais barato e atende a maior parte dos casos de uso. Mas quando se fala em vídeo, que é a aplicação matadora do 5G, não há como fugir”, avaliou Marcelo Duarte, diretor executivo da Telecall.
Os exemplos práticos, porém, já estão em operação. No agronegócio, drones conectados detectam falhas em plantações em tempo real, enquanto na indústria, óculos de realidade aumentada orientam técnicos em manutenção com apoio de inteligência artificial.
Para Eduardo Henrique Trepodoro, gerente da CPFL Energia, o ponto central é a adequação da conectividade ao caso de uso. “Em alguns cenários, como medição de energia, a rede pública resolve. Mas em aplicações críticas, como smart grids, a rede privativa é indispensável.”
Já o Inatel, representado por Henry Douglas Rodrigues, ressaltou o papel da inteligência artificial e do edge computing na consolidação das aplicações. “A conectividade é o grande motor da transformação digital. Sem coletar dados, não há informação, não há base para IA ou automação”, afirmou.
Para os painelistas, será necessário avançar em políticas públicas, reduzir custos dos terminais e criar segurança regulatória que permita ao mercado investir sem receio.