Goiás atrai data center com lei estadual de IA e reforça infraestrutura com Huawei
Goiás é o primeiro estado do Brasil a estabelecer diretrizes para IA, atraindo investimentos privados em data center mesmo fora da região de hubs.
Barcelona, Espanha. Enquanto o Brasil segue paralisado com seu Marco Legal de Inteligência Artificial, Goiás já vai muito bem com a sua lei estadual há um ano. Em conversa com a imprensa, o secretário-geral do estado, Adriano Rocha, revelou que com a segurança jurídica e abertura que a regulamentação trouxe, já começa a atrair investimento privado com a construção de um data center de uma empresa do Sul do país, sem revelar o nome.
Estabelecida em maio de 2025, a lei evita excesso de prevenção que amarre o avanço tecnológico e que a torne obsoleta muito depressa. Para isso, conta com o comitê NEIA (Núcleo de Ética e Inteligência Artificial) que, como explica o secretário, “reúne toda a sociedade civil organizada, governo e empresas para debater os temas que não estão previstos especificamente na lei”.
Questionado sobre como esse avanço pode contribuir com a lei federal, Rocha revelou que já compartilhou a proposta com Aguinaldo Ribeiro, presidente-relator do tema na Câmara dos Deputados, e organizou uma missão aos Estados Unidos “para que os parlamentares pudessem ver de perto vários desenvolvimentos da IA”. O texto em tramitação para o marco brasileiro, no entanto, tem muito do modelo europeu.
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“Era importante que, na prática, eles entendessem que o país não precisa de uma lei que só tenha freios”, completou.
Além da IA , o governo de Goiás também avança uma iniciativa para instalar uma rede própria de fibra óptica de alta capacidade, pelo programa “Goiás de Fibra”, visando atender os 246 municípios do estado. E é aí que entra o apoio da Huawei no fornecimento de alguns equipamentos para a rede.
No painel de políticas públicas nesta segunda-feira (2), no âmbito do Mobile World Congress (MWC 2026), a Huawei estruturou seu discurso sob o conceito “VIVA”: sigla que combina criação de valor, formação de ecossistema, viabilidade econômica e, sobretudo, autonomia tecnológica.

A ênfase não esteve apenas na potência computacional, mas na capacidade de cada país controlar seus próprios modelos, dados e infraestrutura. Em um cenário de tensões comerciais e restrições tecnológicas globais, “decisões públicas críticas nunca devem depender de sistemas que não podem ser controlados”, afirmou Hong-Eng KOH, global chief public services industry scientist da Huawei, ao defender infraestrutura e modelos nacionais como resposta às tensões tecnológicas globais.
A ambição é estruturar centros de computação e modelos adaptados a idiomas, cultura e necessidades regulatórias locais, permitindo que governos e indústrias utilizem IA com maior autonomia. É nessa combinação entre infraestrutura, capacitação e aplicações práticas que Goiás busca se posicionar como vitrine nacional de transformação digital.