Rio de Janeiro, Brasil. A América Latina e o Caribe tem enfrentado grandes desafios no tema da cibersegurança. Só nos últimos dois aos, a região registrou um aumento de 600% dos ataques ransomware sendo que 91% deles começam com golpes de phishing, afirmou Camilo Cetina, executivo principal da direção de inovação de Estado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), durante o Latam Ciso Summit 2025 nesta quinta-feira (11).
O impacto econômico disso? 6 bilhões de dólares contabilizados desde 2021, mas até o final de 2025 pode chegar aos 10,5 bilhões de dólares. A situação se complicou com ataques que utilizam tecnologias como a inteligência artificial, popularizados nesta década.
Ainda segundo Cetina, os cibercriminosos têm se organizado em um sistema informatizado no sentido de refinar e espalhar o conhecimento sobre falhas.
“A proteção frente a esses crimes não alcança o mesmo nível de coordenação e organização desses grupos. Os diferentes países não estão, de forma preventiva, se organizando e coordenando políticas de cibersegurança com a mesma intensidade que estão os cibercriminosos”, ressaltou.
Na linha comparativa, Chile e Brasil se destacam na região em políticas de proteção, mas a regra na região como um todo ao final do dia, é muito aquém do que investem os países da OCDE. Para piorar as assimetrias, os dados de treinamento são de países de primeiro mundo e não contemplam os desafios específicos da América Latina.
Algumas mudanças propostas pelo CAF são melhorias na governança pública, para proteger as infraestruturas cívicas da região, minimizar o risco de dano econômico e garantir a resiliência em termos de cibersegurança.
“Aqui não existem políticas de retenção do talento, mas grande parte do que se desenvolve nos Estados Unidos, depois acaba sendo capturado pelo setor privado porque paga melhores salários ou porque oferece melhores condições de trabalho que o Estado não tem capacidade de competir” observou Cetina.
Até 2030, o CAF prevê o desenvolvimento de projetos de prevenção numa ordem de 2,4 milhões de dólares e 400 milhões de dólares focados em linha de crédito para cibersegurança.