Com lucro de R$2,7 bi, TIM busca fechar gap na portabilidade móvel

A operadora obteve resultado recorde no 4T23 com crescimento em todos seus produtos, apesar de perder quase 10 mil clientes por mês na telefonia móvel.

Em 2023 a TIM obteve os melhores resultados dos seus últimos cinco anos. Os resultados do 4 trimestre de 2023 divulgados pela operadora, apresentou crescimento na receita, no EBITDA, fluxo de caixa e no lucro líquido, que alcançou o patamar de R$ 2,7 bilhões, isto é, 50,4% a mais que o mesmo período de 2022; uma margem bem maior que suas projeções, afirma a empresa.

Enquanto a receita líquida de serviços atingiu R$ 23,1 bilhões em 2023, um crescimento de 10,7% na comparação com o ano anterior,  o EBITDA fechou o ano em R$ 11,7 bilhões, registrando uma margem de 48,9% (evolução de 1,5 p.p. em relação a 2022).

Apesar do lucro recorde e de ter aumentado três vezes a base de clientes de fibra, totalizando 86,4 mil novos usuários, a TIM vem perdendo clientes na telefonia móvel. Em 2023 esse decréscimo ficou numa média de 10 mil clientes por mês, afirmou o CEO Alberto Griselli, que reconhece que este é um número negativo, mas não significativo. 

Boa parte dos clientes da TIM e também da Vivo migraram para a Claro, que liderou a portabilidade no último ano, segundo dados da Teleco.

Em 2023, a base de clientes móveis da TIM somou 61,2 milhões, enquanto em 2022 chegava a 68 milhões. “Estamos fazendo uma substituição da plataforma

de portabilidade da TIM Brasil, é algo que acabou de acontecer agora em janeiro e, melhor adaptados às novas regras de portabilidade do regulador, que dá mais garantias ao consumidor, nós vamos fechar esse gap“, declarou Griselli.

Contudo, isso não significa que a empresa também não obteve ganhos com o segmento móvel. Com o movimento constante de crescimento do pós-pago a TIM tem visto seus clientes migrarem para planos de maior valor e, consequentemente um aumento de 15,4% do ARPU nesta modalidade, tendo uma de suas melhores performances orgânicas.

A grande estrela de seus produtos de fato foi a TIM Ultra Fibra, na qual contabilizou 86,4 mil novos usuários, superando em aproximadamente três vezes o número registrado no ano anterior, obtendo um aumento de 31% da base de FTTH.

No agro, competição mas também cooperação com a Starlink

Que a TIM tem liderado com o 4G na vertical agro, não é novidade. A operadora confirma sua meta de passar os 16 milhões de hectares conectados em 2023, para 20 milhões em 2024.

Questionada sobre como se dá a convivência ou a concorrência com a indústria satelital, especialmente a Starlink que cresceu exponencialmente em apenas um ano, e agora mira o agro brasileiro conectando tratores e máquinas agrícolas, Griselli disse que inclusive utiliza satélites da empresa de Elon Musk em seus sites e torres instaladas no campo.

“Há espaço e oportunidade para as duas soluções. O tamanho dessa oportunidade no Brasil equivale a 300 milhões de hectares e em vários casos, o backhaul das nossas torres é um backhaul satelital. As duas podem estar em competição, mas também em cooperação”, concluiu.