CNDI publica diretrizes para a nova política industrial com foco em conectividade e redes privativas

Resolução divulgada no D.O.U desta quinta-feira, 20, norteará as ações para o desenvolvimento da indústria brasileira em fomento à inovação e superação do atraso produtivo e tecnológico do país.

Dentro do prazo prometido, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) conseguiu enviar ao presidente Lula a proposta de diretrizes para a nova política industrial, uma de suas promessas de campanha. A resolução foi publicada na última quinta-feira, 20 de julho, no Diário Oficial da União e prevê um investimento de R$106 bilhões para o processo de reindustrialização que deve ocorrer durante os quatro anos de mandato do atual governo.

A audaciosa meta utilizará recursos como financiamentos e fontes não reembolsáveis, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que, sozinho, investirá R$65,1 bilhões; da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Prioridades e objetivos das diretrizes

“O padrão mundial de comércio se tornou crescentemente concentrado em produtos de maior intensidade tecnológica e a retomada das políticas industriais de inovação e de fomento à inserção internacional qualificada e mais competitiva, implica em superar o atraso produtivo e tecnológico“, diz o texto que se norteia por missões como sustentabilidade, inclusão socioeconômica (leia-se geração de empregos) e equidade de gênero e etnia.

A política de neoindustrialização a partir desses princípios se desdobra em objetivos que favorecerão a ampliação das infraestruturas digitais locais, com foco em conectividade (5G), incluindo as redes privativas e a integração entre hardware e software, para a prestação de serviços no âmbito das cidades e das indústrias inteligentes, além de “adensar as cadeias produtivas nacionais de construção e obras de infraestrutura, priorizando a digitalização, sistemas construtivos inteligentes”.

Entre as demais prioridades também estão as cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais para a segurança alimentar e energética; o complexo econômico industrial da saúde, diminuindo as vulnerabilidades do SUS; transformação digital da indústria; descarbonização a bioeconomia; a infraestrutura de saneamento, moradia e mobilidade nas cidades e as tecnologias para a soberania e defesa nacional.

Recriado pelo presidente Lula e presidido por Geraldo Alckmin, seu vice e ministro do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDCI), o CNDI foi criado em 2004 mas tinha sido extinto há sete anos. Sua retomada marca o projeto de recuperação da indústria nacional que sofreu “considerável enfraquecimento das políticas de desenvolvimento desde o início da década de 1990”, diz o texto.