Chile e Uruguai se destacam na adoção do padrão Wi-Fi 6, com cerca de 30% das amostras já utilizando a tecnologia, seguida pelo Brasil, México e Peru. Os dados são da Ookla, apresentados nesta segunda-feira (15), por Jonathan Siqueira, gerente sênior de contas técnicas da empresa.

O Chile, em especial, se destaca globalmente pelo investimento em fibra óptica e por já ofertar planos residenciais de até 8 Gbps, com ISPs se preparando para pacotes de até 50 Gbps. O tempo médio para carregar uma página neste país com Wi-Fi 6 foi de 2,44 segundos, menos da metade do tempo registrado em conexões com Wi-Fi 4.
Segundo ele, a evolução tecnológica é diretamente refletida em ganhos de velocidade e qualidade de experiência: conexões em Wi-Fi 4 registram médias próximas de 30 Mbps, enquanto o Wi-Fi 6 entrega até uma vez e meia mais desempenho, reduzindo pela metade o tempo de carregamento de páginas e melhorando o início de vídeos.
Na Venezuela, por exemplo, quase metade dos testes ainda ocorre em Wi-Fi 4, o que compromete a experiência dos usuários.
Para fazer a medição, a Ookla utiliza uma combinação de métricas, sobretudo o Speedtest, onde tem hospedado seu próprio software para checar o tempo de carregamento para cada utilização do usuário, bem como sua percepção da experiência. Para chegar aos presentes dados, a medição avaliou velocidade de download, upload e experiência do usuário em navegação, vídeo e jogos.
Jonathan destacou também a importância da evolução tecnológica para a experiência do usuário. O Wi-Fi 7, ainda em fase inicial de adoção, já demonstra saltos expressivos de velocidade. No Uruguai, as amostras coletadas com Wi-Fi 7 alcançaram 579 Mbps, contra 34 Mbps no Wi-Fi 6. No Brasil, a tendência de migração para Wi-Fi 6 e 7 também é clara, mas esbarra em desafios de investimento e substituição de equipamentos antigos.
O estudo identificou que a percepção de velocidade não depende apenas do plano contratado, mas de fatores como cobertura de sinal, interferência, frequência utilizada e tipo de equipamento instalado na residência.
Os dados mostram ainda que usuários conectados em áreas com sinal inferior a -70 dBm dificilmente alcançam velocidades acima de 100 Mbps, mesmo em planos avançados.
Outro ponto relevante é a saturação da rede em horários de pico. Em localidades brasileiras como a Praia de Boa Viagem e a Praia do Flamengo, verificou-se degradação da performance em períodos de maior uso, com redução na consistência e na simetria da conexão.
ISPs que mantêm consistência durante o dia apresentam velocidades de download acima de 50 Mbps e upload acima de 25 Mbps, enquanto outros registram quedas significativas.
Além da medição de velocidade, a Ookla utiliza dados do Downdetector para cruzar informações sobre indisponibilidade de serviços e percepção do usuário, identificando, por exemplo, quando falhas percebidas não estão relacionadas à rede wi-fi doméstica, mas a serviços externos como redes sociais ou aplicativos.