domingo, enero 29, 2023
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Casos de uso em todas as faixas do 5G definirão transformação digital

A variedade de faixas licitadas para o 5G no Brasil habilita a digitalização em diversos setores da sociedade, mas a efetiva transformação dependerá do preço e da demanda de cada caso de uso.

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Um dos pontos mais relevantes do leilão das radiofrequências para o 5G do Brasil foi a quantidade de espectro e a variedade de faixas licitadas. Juntas, elas garantem cobertura, comunicação com diversos terminais e grande capacidade de conexão, além da possibilidade de consolidar o 4G no país.

Os planos das vencedoras da licitação incluem oferta de rede para provedores regionais, 5G para os consumidores finais e para as indústrias nas cidades, ou até mesmo para as áreas rurais, dependendo da frequência comprada.

É a diversidade de faixas que permite o atendimento a tantos objetivos e uma transformação digital em diversos setores da sociedade. Mas, para isso acontecer, dependerá do preço das tecnologias e da demanda de cada aplicação.

A DPL News conversou com Hermano do Amaral Pinto Jr., diretor geral do Portfólio de Infraestrutura da Informa Markets, para entender a utilidade de cada faixa e em quanto tempo os serviços deverão ser disponibilizados.

700 MHz

Apesar de ter sido leiloada no ano passado para a rede 5G, a situação indica que, neste primeiro momento, a faixa de 700 MHz será mais explorada para o 4G. “O 700 MHz tem grande potencial de penetração. A ideia é trazer cobertura para localidades mais distantes e buscar serviços como Internet das Coisas (IoT) para área rural”, explica o engenheiro.

Essas aplicações podem ser feitas tanto por meio do 4G quanto do 5G, a depender do volume de elementos conectados ou da latência buscada. “O que vai definir a aplicabilidade [do 5G] é o custo dos dispositivos e a demanda de uma tecnologia com melhores taxas de transmissão e de menor latência. Isso depende do business case.

A faixa foi comprada pela Winity, que pertence ao fundo Pátria Investimentos. A empresa já revelou o plano de atuar no atacado, fornecendo infraestrutura de telecomunicações para operadores regionais, por exemplo.

3,5 GHz

“É a faixa de uso mais amplo”, disse Amaral. O projeto para as grandes operadoras, que levaram 100 MHz cada uma, é atender os consumidores finais por meio do Serviço Móvel Pessoal (SMP), principalmente.

Já as entrantes se dedicarão mais ao uso corporativo. Como a DPL News já apontou, atender provedores regionais e indústrias é o foco da Cloud2U, pertencente ao grupo Greatek, da Copel Telecom e da Sercomtel.

Esta é a única faixa que ainda não pode ser utilizada em sua totalidade. A liberação do 5G nesta banda começa pelas capitais neste ano, enquanto nas cidades menores a disponibilização se dará até 2029.

O cronograma é necessário porque, fora das grandes cidades, é comum o uso de televisão via satélite em banda C, que é conflitante com o 5G nesta faixa. Para dar tempo de migrar o serviço para a banda Ku, a ativação da tecnologia nessas localidades foi postergada.

2,3 GHz

Amaral acredita que a faixa de 2,3 GHz será mais utilizada para o 4G, mas ela também pode ser usada para a quinta geração, desde que tenha dispositivos e um business case “que feche a conta”.

Ele afirma que o 5G nesta frequência é interessante para um spot em escola ou em um órgão público, por exemplo, porque tem demanda de dados, mas sem grande demanda de capacidade.

A Algar Telecom e a Claro saíram à frente das outras operadoras no final do ano passado e lançaram redes 5G usando a faixa comprada no leilão em Uberlândia e Uberaba, no caso da empresa mineira, e em São Paulo e Brasília, no caso da Claro.

O executivo alerta, no entanto, para o ruído ISM (industrial, científico e médico, na sigla em inglês), pois a frequência está próxima às áreas usadas por equipamentos ou dispositivos que não são de telecomunicações. “As aplicações têm que tomar os devidos cuidados para uma adoção adequada.”

26 GHz

“É a faixa mais 5G que pode ter”, garante Amaral. “Tudo o que falamos do 5G, de altíssima capacidade, baixíssima latência e aqueles serviços futurísticos, deve acontecer efetivamente no 26 GHz.”

Mesmo sendo a mais promissora, é a faixa que vai exigir mais preparação do comprador em termos de processos, de sistemas e de pessoas para fazer o bom uso do serviço.

“Quem está mais preocupado com o 26 GHz é a indústria automobilística. Por serem montadoras, com muitos provedores de insumos e diversas matérias-primas, o 5G nesta frequência pode trazer uma revolução para essa indústria”, explica.

No Brasil, outros segmentos industriais também estão interessados nas ondas milimétricas. “Por ter uma cobertura muito menor em relação à área, é possível fazer serviços mais específicos e protegidos. Mas também será o serviço mais caro, devido aos equipamentos.”

As antenas, os modems e os dispositivos que devem ser usados nessa faixa são caros, e os casos de uso ainda não são claros. Por isso houve menos interesse no leilão por parte das operadoras.

“A maturidade da faixa não será atingida antes de cinco anos”, diz o executivo.

Novos players

Por fim, Amaral fez questão de citar que há potencial para novos players no mercado em todas as frequências licitadas, para além das operadoras de telecomunicações. “Vamos começar a ver novos fornecedores de tecnologia atuando em segmentos que antigamente eram restritos aos grandes fornecedores de telefonia celular. Isso aconteceu com a fibra óptica.”

Ele esclarece que o mercado de fibra óptica foi pulverizado assim que a tecnologia se popularizou e que, hoje, há provedores de fibra óptica de “primeiro, segundo e terceiro níveis”. 

“Vai acontecer a mesma coisa com o 5G. Vamos ter fornecedores com muitas patentes e outros que vão entrar nos nichos de padrão aberto e vão começar a se especializar”, afirma. A boa notícia é que, com essa pluralidade de provedores, a tecnologia ficará mais acessível a empresas que precisam de soluções simples ou mais específicas.

Mirella Cordeiro
Mirella Cordeiro
Editora, jornalista de temas digitais, de telecomunicações e tecnologia e correspondente da DPL News no Brasil e em português.

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