A maioria dos brasileiros acredita que é necessária uma regulação mais rígida das redes sociais no país. Segundo a pesquisa Latam Pulse, feita pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, 59% consideram a regulação necessária — sendo 53,3% a favor de uma ação urgente e 5,7% em apoio à regulação, ainda que não urgente. Por outro lado, 37,6% acreditam que não é necessário intervir, enquanto 3,4% não souberam opinar.
Ao mesmo tempo em que há apoio à regulação, predomina o receio de que o controle judicial sobre as redes sociais comprometa a liberdade de expressão. Segundo o levantamento, 39,4% dos entrevistados concordam que uma regulação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) pode representar risco à livre manifestação nas plataformas.
Quanto ao Congresso Nacional, 56% dos brasileiros disseram confiar nenhum pouco para possíveis reguladores.
A maioria dos entrevistados também apoia que as plataformas digitais tenham obrigação legal de fazer moderação ativa de conteúdo, isto é, remover publicações denunciadas por usuários mesmo sem ordem judicial em determinados casos. Os percentuais mais altos de apoio foram registrados para conteúdos relacionados a crimes hediondos; incitação à violência física; racismo, xenofobia e homofobia.

Este pensamento está em conformidade com o entendimento do STF ao decidir alterar o artigo 19 do Marco Civil da Internet e definir que estes casos deverão ter suspensão imediata, sem ordem judicial.
Os dados do Latam Pulse também mostram uma clara divisão entre os eleitores de Lula e Bolsonaro quanto à necessidade de uma regulação mais dura das redes sociais no Brasil.
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Enquanto 94% dos eleitores de Lula são favoráveis a medidas regulatórias urgentes, vendo nelas uma forma de combater a desinformação e proteger a democracia, os eleitores de Bolsonaro demonstram forte oposição, considerando tais medidas uma ameaça à liberdade de expressão e uma forma de censura institucional. Apenas 0,9% deles apoiam uma regulação urgente.
A pesquisa ouviu 2.621 pessoas entre os dias 27 e 30 de junho de 2025, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.