O Brasil subiu posições e voltou ao grupo dos dez países que mais investem em tecnologia da informação no mundo, segundo o estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2025, da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
Em 2024, os investimentos em TI no país cresceram 13,9%, superando a média global de 10,8%, e somaram R$ 321,36 bilhões (US$ 59,5 bilhões). O setor agora representa 3,8% do PIB brasileiro.
Na América Latina, o Brasil manteve a liderança com uma participação de 35%, embora com uma leve queda em relação aos 36,7% registrados em 2023. O México aparece na segunda posição com 23%, seguido pela Argentina, com 14%. No mercado global, o Brasil se consolidou na 10ª posição geral em TI e na 11ª colocação específica para software e serviços, com 1,5% de participação no mercado mundial desses segmentos.

Apesar do bom desempenho doméstico, as exportações brasileiras de software e serviços ainda mostram crescimento tímido: avanço de 2,5% e 2,9%, respectivamente. O estudo também revela que cerca de 94,5% das empresas que desenvolvem software no Brasil são micro e pequenas, evidenciando a importância da inovação local em um ecossistema altamente pulverizado.
Os setores que mais demandaram soluções de software e serviços foram finanças, telecomunicações e indústria, com destaque para o aumento de 22,1% nos investimentos do setor industrial. Já o governo expandiu sua participação para 9,7% do total investido.
O estudo destaca ainda o crescimento expressivo de segmentos como computação em nuvem, IoT e aplicações de CRM. A adoção de inteligência artificial generativa e agentes autônomos desponta como tendência para 2025.
Leia também: Tarifaço de Trump isenta celulares e equipamentos telecom
A ABES também reforçou que a expectativa é de que o mercado de TI continue crescendo em 2025, prevendo um aumento de 9,5% nos investimentos em Software, Hardware e Serviços, superando a média global estimada em 8,9%.
Ainda que o recente anúncio norte-americano de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a mais alta já aplicada pelos EUA a qualquer país, tenha gerado forte apreensão no setor de tecnologia da informação no Brasil, não haverá impacto direto sobre software ou serviços, sobretudo bens manufaturados.
A medida, contudo, pode reverberar de forma indireta, reduzindo os investimentos em TI por empresas das cadeias produtivas impactadas, numa possível escolha de medida econômica.