Diante da complexidade do mercado de telecomunicações, o consumidor tem uma racionalidade limitada, que dificulta, por exemplo, a escolha de um plano ideal para suas necessidades. O excesso de informação, as alterações constantes das ofertas confundem o consumidor, que permanecem, por inércia, nas mesmas condições das ofertas, como afirma Rute Saraiva, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que participou de simpósio na Anatel.
No painel “Implicações do Paradigma da Economia Comportamental para a Regulação das Telecomunicações”, a especialista disse que as operadoras muitas vezes se valem dessa dificuldade do consumidor em proveito próprio. Para ela, dessa forma, as empresas utilizam estratégias, como a definição e a apresentação das ofertas ao consumidor, para fazer o que o pesquisador George Akerlof definiu como phishing for phools (pesca de tolos, em português).
Segundo Rute, para minimizar esses problemas os órgãos reguladores devem identificar e priorizar os riscos para os consumidores, entender as causas principais dos problemas e projetar intervenções eficazes. E, entre os instrumentos ao regulador citados pela pesquisadora, estão modelar a forma como as informações são fornecidas pelas empresas, controlar aspectos específicos, estabelecer o fornecimento de prospectos aos consumidores ou a inclusão rótulos nos produtos.